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09 dezembro 2011

8

Vida

Atrasada, sorry, mas to trabalhando muito no novo layout de aniversário, que ainda não está pronto e não sei se vai estar até dia 16 mimi
Mas vamos lá né! Esse texto eu fiz meio do nada, mas gostei! Comentem e digam o que acham!
beeijos!
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Então é isso. Mais um ano passa por mim, enquanto consigo enxergar ao longe o começo do outro. Sentimentos, descobertas, surpresas, o mundo gira sem se preocupar com o mal ou o bem que esta fazendo com as pessoas, e as pessoas continuam suas vidas, sem muitas vezes pensar no mal ou o bem que estão fazendo a si mesmas e a outras.
Passam as estações do ano. O calor do verão é substituído pelas cores do outono, que dão espaço ao frio inverno, e ao romance primavera. O que somos nós, perto disso tudo? É meio humilhante pensar que sendo nada, damos aos nossos problemas o valor de tudo.
Mas mesmo assim continuamos, e não deveríamos parar. Todos querem fazer a diferença, todos querem ser lembrados. Meu maior medo é que em minha lápide esteja escrito meu nome, mas ninguém saiba quem foi esta mulher. Vejo cemitérios cheios de anônimos. Nomes que se perderam no tempo e no esquecimento, e temo até hoje me juntar a eles.
Não sei o que fazer para ser lembrada. Vou viver, vou amar, e vou passar ano após ano tentando, e espero conseguir. Não temo a morte, temo o esquecimento, e é este que vou evitar.

25 outubro 2011

4

Desabafo

Eu estava indo dormir e isso me veio a mente... Espero que esteja bom, amanhã vou checar :)
Dedicado a aquela pessoa... =/
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Sei que não será para sempre, mas espero que seja logo o momento onde não lembrarei mais de teu cheiro, não almejarei mais a tua voz, não imaginarei mais teu toque e não chorarei mais por teu beijo.
Até lá, apenas peço que não me olhe nos olhos.

30 setembro 2011

9

Novos Tempos


Fiz para a edição bloinques... fiquem tranquilos, não sou tão depressiva XD
Fiz ouvindo essa música, que talvez nem todos gostem da letra, mas é muito boa como trilha sonora. Eu coloquei já que todo mundo gostou da última ><
Boa leitura!
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Os sinos da igreja próxima enchiam seus ouvidos. A mão tremia, e a caneta insistia em fugir para longe, sendo logo recapturada e escrevendo à força palavras tristes e decisivas. Uma carta: A última carta.

Palavras obrigatórias como “Desculpe”, ou “Não sintam minha falta” eram desnecessárias. Quem sentiria sua falta que valesse à pena se desculpar? Ninguém.
E ela escrevia, e traçava seu destino conforme desenhava com cuidado a letra cursiva que todos consideravam feia. Mas ela não ligava. Nunca mais escreveria depois daquela carta.
Seu cabelo feio e desbotado caía sob seu rosto, e ela o colocava para cima. Pensava que logo ele não seria mais preocupação.
Batucava o pé no chão com impaciência, este sempre fora um de seus maiores vícios. Nunca mais se desculparia por isso.
Murmurava o que escrevia, vendo se as palavras faziam sentido se lançadas ao ar. Não faziam. Mas ela continuava. Não era missão dela entender depois o que estivesse escrito.
Uma lágrima caiu logo acima do ponto final. Dramático, claro. Era assim que ela queria seu fim: Dramático.
Jogou a caneta longe, onde a luz do pequeno abajur já não alcançava. A caneta lá se escondeu, parecendo satisfeita em não ter mais que participar de tão mórbida tarefa.
Ela sufocou o choro. Nenhuma lágrima. Queria que chorassem por ela.
Sua garganta doía. Estendeu as mãos secas até o papel rabiscado. Sentiu-o sob suas mãos. Liso... Maculado por palavras devastadoras.
Releu a carta, amassou o papel e os seus olhos se encheram de lágrimas. Desatou a chorar. Chorou a morte de seus pais e o afastamento de seus amigos. Chorou seus problemas e quando eles acabaram chorou os problemas dos outros. Chorou tanto, que quando parou de chorar, se perguntou se ainda havia água em seu corpo. E ela não tinha amiga nenhuma com quem chorar.
Levantou-se da mesinha onde passara a tarde escrevendo. Andou pela casa. Visitou cada um de seus escuros cômodos. Frios... Vazios...
Abriu a janela da sala. O Sol se punha e ela sabia que a Lua estava a caminho.
Ficou olhando para a luz do Sol, que desaparecia, e deixava uma escuridão angustiante. Olhou para o abajur da sala, que parecia aconchegante e confortador.
O céu ficou negro, e o abajur tornou-se a única fonte de luz. Ele se aproximou um passo dele, e outro, e outro... Para acabar com tudo... De uma vez...
Mas uma outra luz apareceu. Suave, quase doce.
Ela se virou, e viu a Lua. Seu brilho era tão fraco, que ela apagou o abajur. Ao ver a carta sumir na escuridão, sentiu-se livre...
Sentiu o peso de todas as lágrimas choradas indo embora...
Sorriu para a Lua, achou que a Lua sorriu de volta.
Pegou a carta, acendeu um fósforo e ficou observando-a queimar.
Respirou fundo. Uma brisa foi mandada pela janela e bateu em cheio em seu rosto. Era fresca e animadora.
Eram os ventos de novos tempos.

24 setembro 2011

10

Sentimentos no Lixo

Não sei se está tosco ou muito legal... Mas o fato é que é bem baseado na realidade, e eu queria escrever já faz um tempo ><
beeijos!
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Se meu lixo pudesse falar; ele leria cartas de amor, e recitaria versos de dor.
Ele reclamaria de meus sentimentos, e também de meus segredos. Ele sofreria com papéis rasgados, cheio de ódio de quem os jogou fora.
Meu lixo com certeza é um intelectual, pois já mandei para ele muita tarefa de casa atrasada e também a que tinha de ser refeita. Provavelmente enquanto não estiver tentando decifrar minha confusa letra, ele está tentando digerir o que entendeu.
Meu lixo deve ser sentimental, porque quando canso de algum sentimento é ele a quem recorro. Acho que de tantos sentimentos que meu lixo já tem, com o tempo ele me devolve alguns. O mais recente foi o amor.
E eu quero jogar o amor no lixo, mas o lixo não quer o amor. O lixo já tem a dor, a depressão, a derrota, a desesperança, a desistência... Isso tudo do pequeno dicionário que docemente lhe doei... Em um acesso anti-gramatical recente. Agora que ele sabe o que são, não quer mais.
Mas não entendo porque um lixo tão inteligente foi burro de começar o dicionário ao contrário, então foi lendo: Z, Y, X, W, V... E empacou na letra D.
Mas que lixo burro! Por que foi parar logo nas palavras ruins? Se você for mais um pouco para frente, encontrará a letra A, onde está o amor, e não vai mais ignorar minha oferta!
Ah é? Vou tirar daí de dentro então o meu caderno, de onde você tira suas palavras.
Ah, magoou? Mas é agora que eu pego de volta minhas cartas de amor!
E aí? O que vai fazer? Vou pegar também esses deveres de casa, que você tanto tenta corrigir.
E esse dicionário, obrigada, que começa pela letra A e termina pela letra Z, caso você queira saber.
E agora lixo? Quer o meu amor?
Mas nem esse eu vou mais te dar, porque agora ele tem amigos para conviver no dicionário, e vizinhos com quem conversar em meus textos! E agora lixo? O que me diz?
Puxa... Não sobrou sentimento para o lixo.

20 setembro 2011

6

Missão Cumprida

Gostei de escrever esse texto... acho que ficou bom! o que acharam? beeijos!


Cheguei na praça onde costumava pintar. Aquele era meu local favorito, pois as pessoas eram sempre descontraídas e engraçadas. Montei meu cavalete lá pela última vez, no meu lugar já consagrado.
Algumas pessoas já me eram familiares e outras novas me chamavam a atenção. Esforcei-me para não deixar a tristeza passar por entre meus olhos. Seria a última vez em que retrataria as luzes perfeitas do pôr-do-sol naquele lugar. Nunca mais procuraria o tom exato do verde-esmeralda das árvores, e nunca, nunca mais me perderia em reflexos cheios de significados em meio aquele grande lago.
Mas é como uma saudade de um tempo que ainda não passou, dizia Lenine. Não entendo porque me apeguei tanto a um lugar e a pessoas que nem sabem meu nome. Não entendo porque não desejei mudar as paisagens de meus quadros e as imagens de meus horizontes, mas parecia que algo me prendia àquela praça.
Abri minhas tintas e escolhi meus pincéis. Apenas os melhores para a minha despedida. No dia seguinte voltaria para o Brasil, e queria deixar este último presente para a França.
Vi um homem e uma mulher chegarem e sentarem observando o lago. Bufei. Não era isso que eu queria. Isso era algo que todo mundo já viu, e que solteiras como eu cansaram de ver. Eu poderia ter revirado os olhos e buscado algo mais interessante, mas não consegui me desprender deles.
Algo nos dois era especial. Aquilo sim eu poderia chamar de l'amour. Eu nunca entendera porque Paris era tão conhecida como a cidade do amor. Passei um ano lá esclarecendo para todos meus amigos brasileiros que aquilo era mentira, mas vendo o casal...
O jeito como pegavam as mãos... Como sorriam... Entreti-me em uma conversa inexistente entre olhares que se tornavam cada vez mais difíceis de enxergar por causa do Sol. Mais rápido do que eu previa, a minha preciosa luz estava acabando e eu só pintara o cenário.
Mas eu não ligava. Parecia que nada importava. Apenas os dois. Vi quando ela se levantou e puxou-o pela mão. Àquele ponto eu já havia inventado milhares de nomes para ela e ele. Ana? Rodolfo? Letícia? Renato? Eram tantas incógnitas que se firmavam nas curvas do cabelo dela e na gola da camisa dele que eu me esquecia de mim.
Ela o puxava insistentemente, até que ele se levantou. Aquele ponto eu só via silhuetas dançando a minha frente, e como me encantavam!
Ela começou a dar piruetas enquanto ele sorria com cara de bobo (pelo menos eu imaginava). A imagem aqueceu meu coração e passou todas as dúvidas para longe. Afundei o pincel na tinta preta e comecei a trabalhar uma imagem que para sempre ficou impressa na minha mente.
Quando terminei, tinha meu quadro mais lindo e romântico que já fizera em toda a minha vida, e não mais me arrependi em voltar ao Brasil. Terminei minha missão em Paris, e levei-a comigo no avião com muito gosto.

29 agosto 2011

2

Sweet Bear

demorei mas postei!
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Lembro quando te conheci com pouco mais que três anos. Seus olhos castanhos tinham mais brilho que os meus. Suas mãozinhas acariciavam meu nariz, meus olhos e minha cabeça. Você me abraçava com força mas eu nunca reclamei.
Mesmo me esquecendo de vez em quando por outros, eu sempre te esperava chegar no quarto para receber o beijo na testa. Vi seu cabelo crescer e suas pernas alongarem. Vi seus braços alcançarem mais longe e senti seus dedos afinarem.
Com o tempo vi os lugares onde meus companheiros ficavam esvaziarem e serem substituídos por música e livros. No final, apenas eu e poucos escolhidos permanecemos aqui.
Hoje não passamos mais tanto tempo juntos, sei que fui trocado por amigas e festas. Sei que seus pensamentos não me incluem e sua imaginação vaga longe de mim. Mas sempre estou aqui para acalentar suas lágrimas como os mais preciosos diamantes, então me abraça forte e diz mais uma vez que estamos distantes de tudo. Conte-me meus segredos e acredite que nunca ninguém os descobrirá. Me taque na parede, descarregue seus sentimentos em mim, porque eu sei que depois suas delicadas mãos virão curar ferimentos. Conte sempre comigo, pois eu sou o único amigo que esteve com você desde o princípio.
É claro que você nunca ouvirá essas palavras de uma boca costurada em um eterno sorriso, mas espero que um dia as sinta refletida em meus vidrados olhos negros, e sinta tudo o que eu sinto no meu interior: Eu te amo.

28 agosto 2011

4

Significados

Perdão perdão perdãaaao ><
desculpa... mas eu postei hoje! Melhor que nada! huhasuauhs
Só uma coisa... eu to participando desse concurso, e queria que vocês votassem em mim lá na enquete! está por ordem alfabética.
Beijos!



Andei pela praia na luz do luar. Sozinha.
Apesar da noite quente, o vento frio castigava minhas pernas e brincava com meu cabelo. Eu sentia como se este paraíso fosse algum tipo de filme de terror. Olhava constantemente para trás me sentindo observada.
Andava a beira do mar em linhas curvas, evitando que a espuma tocasse meus pés. Minha canga ameaçava desamarrar e expor a parte inferior do meu biquini, então eu coloquei as mãos na cintura com força.
Seguindo um caminho desconhecido, vi um ponto onde poderia escalar várias pedras e chegar a um belo penhasco. A Lua cheia iluminava o meu novo desejo.
Amarrei a canga em volta do meu tórax e iniciei a escalada, que no início pareceu fácil.
Com o tempo as pedras se tornaram íngremes e escorregadias. Eu olhei para cima e o penhasco não parecia se aproximar. A força se esvaía de meus braços...
Comecei a ficar sem fôlego. Puxava grandes punhados de ar antes de ver que não eram o suficiente e liberá-los.O desespero tomava conta de mim. Me perguntei se a Lua me traíra, me levando a um caminho falso...
Parei em uma depressão onde eu conseguia ficar confortável. Olhei para cima e o penhasco não parecia ter saído do lugar. Olhei para baixo e vi uma distância fenomenal entre mim e a escuridão marítima...
Apavorada, continuei subindo, até não me restarem mais forças.
Tonta de exaustão, tentei alcançar o próximo ponto, mas a pedra escorregou, e eu fui envolvida pelo abraço do nada...
E com regojizo caí em meio ao breu do mar e do esquecimento, com a mão estendida procurando o ponto de apoio no qual eu confiara.

***

Acordei com um grito entalado na garganta e o suor escorrendo pela testa. Meu coração estava acelerado e minha mão direita procurando desesperadamente algo para agarrar.
Levantei sem sono algum e acendi a luz do meu quarto. Repassei na mente os momentos de terror e adrenalina antes que eles se esvaíssem no mundo dos sonhos.
Com a cabeça apoiada nos joelhos, refleti no que poderia significar um sonho tão diferente, mas não tinha como fugir da dura realidade:
Eu subira no penhasco apenas para saltar.

26 agosto 2011

5

Esquecendo o Ontem




Letícia olhou para a foto favorita sua e do namorado. Seu primo metido a fotógrafo subira na picape e quis porque quis comandá-los como modelos.
Uma lágrima quente correu em seu rosto. Soltou a foto do seu quadro de recados, e acariciou com a ponta dos dedos o cabelo dele.
Então toda a sua raiva apareceu, ela deu um grito e rasgou a foto. A lembrança caiu,  menos partida apenas que seu coração.
-Eu sabia... Sabia que você me traia... - ela murmurava consigo mesma - Eu sabia que aquilo nunca teria um fim, a menos que eu impusesse um.
Ela deu as costas para o quadro de recados, pisando com descuido na foto que guardava com tanto carinhos. Encarou a cama, o quarto... Basicamente o seu habitat,  onde construíra seus sonhos apenas com ele, e ele a traiu.
"Por que?" - ela pensava - "O que ela tinha que eu não tinha... Por que nós não podemos ficar apenas na picape...Conversando como sempre...Por que tínhamos que estragar tudo?"
Ela ficou um minuto parada encarando o quarto. Não permitiu que mais uma lágrima saísse de seus olhos. Foi matando lentamente os pensamentos de dúvidas e arrependimentos, guardando-os para um momento mais propício, como por exemplo embaixo das cobertas, onde ninguém, muito menos ele, saberia de suas fraquezas.
Letícia suspirou e com isso soltou toda a dor no peito.Colocou um sorriso no rosto com algum esforço. Não seria neste dia que ela derramaria mais lágrimas, ou passaria dias dentro de casa. Nesse dia ela superaria o passado.
Abriu o armário e procurou sua melhor roupa enquanto ligava para sua amiga. Hoje ela ia sair, curtir, viver.
E o que aconteceu nos momentos da foto ela carregaria para sempre no coração.Estava marcado a ferro em sua alma. Mas não hoje.
Esta noite Letícia seria apenas o hoje, para amanhã lembrar do ontem.

24 agosto 2011

4

Reerguendo-me

geeeeeente desculpa eu tive umas dificuldades aqui em postar porque meu computador nem tava colocando acentos.... longa história! mas agora tudo normalizou, prometo que não deixo mais vocês de ar assim!
texto para o bloinques!
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Hoje acordei decidida. Cansei de ser dependente. Cansei que você seja meu primeiro pensamento quando acordo e o ultimo quando durmo. Que tipo de obsessão doentia e essa que eu tenho? Odeio tremer quando te vejo só porque você esta sustentando meu mundo. Que droga! Deixe-me cair, me deixe levantar, e acima de tudo, me deixe VIVER.
Eu levanto repassando nossos momentos. Tomo banho tocando no rosto os lugares que queimaram com a sua mão, me visto pensando na roupa que você gostaria...
Droga!Eu ando por ai desejando você ao meu lado e ouvindo sua voz na minha cabeça. Eu estou afundando na obsessão e na beira da loucura...
Eu estou apaixonada, mas pretendo mudar isso.
É por isso que vou viajar. Não quero nem saber, vou embora conhecer pessoas que nunca viram seu rosto ou ouviram seu nome. Vou respirar ar sem o seu perfume e tocar lugares que nunca conheceram sua presença.
Eu vou embora, sim, e eu sei que você partirá também. E por um tempo pensarei apenas em você, especialmente naqueles doze momentos do dia... Quando as horas estão iguais. Mas então o minuto passará, junto com a lembrança, junto com o amor...
E eu me reerguerei sem você.

18 agosto 2011

8

A Mudança


Hesitei em frente a porta fechada. Estendi minha mão lentamente para entrar no lugar que sempre havia sido meu lar. Não posso deixar de lembrar como desejei que lá estivesse nossa televisão e o grande sofá. Não pude deixar de levantar a cabeça para a parede da escada e procurar os papéis que nós grudávamos de lembretes. Segurei o meu álbum de fotos contra o peito com força. Agora ele provavelmente era a única coisa que me ligava a aquele lugar, e ao passado.
Fui até um espaço com janelas onde antigamente havia duas poltronas e um abajur. Sentei no meu lugar de costumo entre as duas poltronas imaginárias, e encarei meu ursinho de pelúcia que fora esquecido na sala. A única lembrança da infância que eu carregara durante os anos. Como me arrependi daquilo no momento.
Segurei-o contra o peito e abri o álbum de fotos. Havia tantas fora do lugar que quando abri milhares caíram no meu colo. Em outra época eu as teria juntado e recolocado no meio do álbum, mas não naquele dia. Naquele dia qualquer lembrança era sagrada.
Cuidadosamente espalhei as fotos em um círculo a minha volta. Meu urso acompanhava tudo com os olhos vidrados. Fotos de casamento, formatura, batismo, namoro, amizades... Estava tudo ali.
A luz do sol dava um brilho dourado as minhas lembranças, e eu sorri. Sorri pela primeira vez dês de que meus pais anunciaram nossa mudança.
Colocadas às últimas fotos, levantei-me e olhei a minha volta. Havia uma aura de lembranças a minha volta, e conforme eu girava para ver todas, me senti como um planeta que trás pequenos satélites a sua órbita.
E foi então que vi.
Não teria nada a ver com sair de minha casa. Não mudaria nada não ter mais o mesmo quarto ou os mesmos vizinhos. O passado era o passado, e ficaria gravado onde sempre esteve: No meu coração.
Por um segundo sorri, e me senti amada por dezenas de fotos com sorrisos vidrados.
Mas o segundo acabou quando a buzina do caminhão de mudança soou.
Ainda feliz, recolhi as fotos e com força segurei o meu ursinho ao lado do álbum. Saí da casa que fora meu lar com um sorriso sem lágrimas. Mudar não estava tirando meu passado. Meu passado estava em mim! Mudar me levava a um novo futuro, e agora, mais que nunca, eu estava pronta para ele.

09 agosto 2011

4

Livre

Amei escrever essa história! Eu simplesmente amei sair do meu clichê romântico e só para variar escrever outra coisa, e nossa, isso tirou muito do peito!
Não, não fui criada como nos tempos medievais, fiquem tranquilos hahaha
Bom, espero que gostem ^^
Me apaixonei por essa imagem do bloinques, eu tinha que fazer algo *-*

-Não me importa em que ano estamos, ele é um bom rapaz e você vai casar com ele!
-Eu tenho dezenove anos e ele tem quarenta! Será que não passa pela sua cabeça como isso é medieval?
-Não me importa se eu vou ter que te algemar para o altar, mas você vai casar! Agora, vá para o seu quarto!
Bem, eu fui.
Na nossa casa de praia meu pai me deu a notícia. Eu tinha ganhado um casamento arranjado. Sim, eu seria obrigada a casar no começo da minha vida em pleno século XXI.
Eu tentei explicar isso para ele, mas meu pai sempre viveu e me criou em princípios medievais que, se não fosse por minha mãe, hoje eu acharia que usar calça é algo horrível e herege. Não entendo ainda como se casaram.
Então eu abaixei a cabeça, cansada de discutir, e fui para o meu quarto.
Peguei meu biquíni, minha regata, e pulei a janela.
Corri para a garagem e sequestrei a canoa que a família costumava usar para pescar. (Lê-se: Meu pai usava para pescar).Com o coração apertado, arrastei-a sobre a areia usando o máximo das minhas forças. O sol queimava as minhas costas enquanto eu fazia um esforço sobre-humano para puxar o bote sem ajuda nenhuma.
Chegando perto da água, endireitei as costas e olhei para minha casa. Nunca fora um refúgio ou um lugar completamente feliz, e talvez não fosse o lar do qual ouvimos falar em livros e filmes, mas era o único que eu conhecia: Ao lado de meus pais.
Segurei uma lágrima. Voltar estava fora de questão. Eu iria de canoa até o outro lado da ilha, e chegaria lá pela tarde. De lá ligaria para minha mãe, e ela me diria o que fazer.
Empurrei mais um pouco até que a saia estivesse encharcada até a altura de minhas cochas. Com algum esforço subi e coloquei os remos para fora, como já vira meu pai fazer tantas vezes quando sumia no horizonte para pescar o jantar.
Remei, remei e remei até o limite de minhas forças. Perguntei-me por um momento se o casamento com um homem com o dobro de minha idade seria pior que a morte em um lugar onde meu corpo talvez nunca fosse encontrado.
Sim, seria.
Com este pensamento me dando forças, remei até que as árvores ficassem mais próximas, e no limite da exaustão deitei-me para descansar.
Observei atentamente a linha esmeralda que dividia a terra do céu, e deliciei-me vendo as florestas ainda virgens que escondiam mil e um segredos. Naquele momento, com o sol queimando meu rosto, e o gosto do mar em minha boca, eu estava mais confortável que nunca, porque estava livre.
O Sol pareceu gostar de minha afirmação, porque repentinamente o senti em meus olhos, e fui obrigada a cobri-los da maravilhosa visão.
Sentei-me de olhos fechados e quando os abri, já não vi a magia e a poesia de antes, apenas uma única verdade: Qualquer que fosse meu futuro, estava na outra margem.

01 agosto 2011

7

Doce Decisão

Bom, é isso. Palavras no Espelho.
Está bem diferente, eu sei. E ainda vai mudar mais algumas coisinhas, mas nada que me obrigue a parar de postar.
Essa idéia eu tive quando fui no teatro. Faz tempo que não faço um texto por fazer. Fiz ouvindo essa música, para quem quiser.
Beijos!

Cheguei na frente do teatro, parei e olhei.
As luzes anunciavam a peça que eu sempre quis ver. Era meu pequeno sonho.
Mas eu não queria admitir que não estava completo sem ele ao meu lado.
Segurei a maré de sentimentos ruins. Hoje seria o meu dia. Já havia cansado de pensar só com o coração, e não com a cabeça.
Passei reto pela fila das pessoas que ainda iam comprar o ingresso, e entreguei o que eu comprara na semana anterior. Primeira fila.
Entrei em silêncio. Talvez a única no meio do burburinho que enchia o ar, fazendo todo o lugar vibrar de animação. Me deixei tomar por essa energia e limpei minha cabeça.
Sentei no lugar vazio, e desviei o olhar da poltrona vaga a minha direita. O lugar havia sido comprado, mas nunca alguém sentaria lá.
As luzes se apagaram e me assustei com o silêncio mortal. No meio da escuridão olhei fixamente para tentar distinguir a cortina que eu sabia que se abria.
As primeiras luzes iluminaram o palco, e suspirei. O espetáculo dançava nos meus olhos mas não fazia sentido em minha mente. Apesar de conhecer a história a tempos, nunca havia visto-a retratada, e sempre quis.
Senti uma pessoa sentando ao meu lado e fiquei tensa, pronta para dizer por algum motivo que já tinha lugar.
Mas os olhos dele travaram qualquer palavras que eu tentasse formular.
-Quando vi um lugar vago, me perguntei se ainda tinha dono.
-Sim - falei amargamente - o dono o comprou.
-Mas não comprou  para assistir essa peça - ele falou docemente - foi para assistir a platéia, especialmente a jovem ao lado dele.
Um sorriso me escapou aos lábios.
-Deixe a jovem em paz para assistir então - e voltei a minha atenção ao complexo diálogo de outra época, segurando uma lágrima.
-Não até que esta donzela permita-me observá-la.
Eu estava confusa. Não o queria perto de mim, mas ao mesmo tempo...
-Já não observou o bastante? - fingi irritação - tire uma foto, vai durar mais.
-Me perdoe - ele desistiu da metáfora - eu te amo.
As três palavras soaram em minha alma, enquanto o galante jovem repetia-as para a jovem dama a mil anos atrás, mas assim mesmo na minha frente.
-O que essa dama fará com esta afirmação? - perguntei virando-me para a peça.
Ele sorriu. Também conhecia o roteiro. Um longo e apaixonado sim. Essa era a resposta da dama.
A peça correu lindamente. Com meus olhos presos ao palco e a mão dele segurando firmemente na minha, como que com medo de me deixar fugir.
Quando terminou, tenho certeza que fui a primeira a aplaudir de pé. E quando o olhar da donzela foi atraído para mim, pisquei e lhe mandei meu mais doce sorriso. A decisão da donzela de manter seu amor com seu príncipe foi a inspiração para manter o meu amor ao único que realmente o possuía.
E naquele momento me senti grata a personagem por pensar com o coração, não com a cabeça.

24 julho 2011

4

Palavras Perfeitas

Quem está sempre por aqui no blog deve saber que não é a primeira vez que coloco um vídeo no lugar da imagem. Mas na verdade não achei nada e o texto tem muito mais magia ouvindo essa música. Além do fato que eu inventei tudo à partir da primeira frase que está em negrito (valeu bloinquês!)
Ah, outra coisinha, vou mudar o layout do blog terça feira, e provavelmente o nome. Não se assustem, mas o Recanto da Lara vai ficar oficialmente em reforma.
beijos e bom divertimento!

Meu nome foi chamado antes do que eu esperava. É claro, pois eu esperava que fosse nunca. Eu nunca estaria pronta.
Fui recebida com uma salva de palmas, e a adrenalina acalmou minha mente da maneira que só acontecia comigo. A minha frente um apoio para um discurso escrito e um microfone encaixado milimetricamente para minha altura. Meu nome foi chamado antes do que eu esperava. É claro, pois eu esperava que fosse nunca. Eu nunca estaria pronta.
Peguei-o e circulei pelo palco. Os refletores ofuscavam meus olhos por isso não via a platéia, que devia estranhar tal reação minha.
Abri minha boca, as palavras fluíam sem minha permissão ou preocupação:
-As palavras perfeitas nunca passaram pela minha mente. Elas não nascem de meus sentimentos como muitos acreditam. Elas brotam do nada, do vento, da água, da existência.
"Nunca soube o que ia escrever antes de colocar o ponto final. Nunca imaginei como ia acabar uma jornada ou uma decisão antes de ver o fim estendido a minha frente."
"E é aqui que vejo o fim. Ele não é amargo como o fim de algo bom. É doce como o começo de algo melhor. E o que começa agora é a busca das palavras perfeitas."
"E essa busca para mim terminou alguns minutos, quando as declarei para o meu verdadeiro amor, nos bastidores." - estendi a mão e Caíque saiu da escuridão - "Eu te amo".
A platéia começou um burburinho baixo. Mulheres suspiravam e homens me questionavam. Continuei:
-Porque amor não é algo que não se diga com freqüência, mas é algo que raramente se sente. Não é algo que possa ser banalizado. É uma promessa que até o último momento você vai querer cumprir, não por dever, simplesmente por ordem do coração. - apontei para o meu que batia descompassado com a presença dele.
Caíque se aproximou de mim, pegou minha mão estendida e ia me dar um beijo...

Quando eu acordei.
Talvez aquelas não sejam as minhas palavras perfeitas, mas isso existe? De fato, com ou sem Caíque, continuarei procurando. Talvez o meu "eu te amo" esteja por aí, rondando minha casa, meu futuro...
Mas enquanto isso uma lágrima amarga me lembrou o sabor das palavras que romperam meu namoro com ele. Foi o amargo fim de algo bom, mas eu espero pacientemente por um recomeço...
O doce começo de algo melhor.

Lara Vic.

14 julho 2011

2

A Donzela de Letras

Meio que precisei de permissão da minha amiga para postar esse texto, porque ele me deixou bem insegura.
Por um lado é a melhor coisa que eu já escrevi, por outro, não sei nem o que falar, mas ele é tão verdadeiro que me deixa insegura...
Estou pensando em mudar o tema do blog baseado nele. Qualquer sugestão podem deixar nos coments. Eu vou pedir que comentem esse aqui bastante, porque como viram ele é especial *-* 

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 Afinal, sobre o que escreve uma donzela confusa?
Se escrevo poemas, os outros os ouvem, os elogiam e os julgam.
Ao escrever cartas, posto-me a frente do leitor, sem que ele me veja, mas apenas com que sinta o som de minhas palavras como pinceladas colorindo um quadro.
Qual o sentido de inventar contos, onde pessoas irreais encontrarão seu final feliz ou mórbido, sendo que qualquer coisa que lembre o real decorrer de uma vida é desinteressante ou insatisfatória?
De que me serve desabrochar sentimentos próprios ou alheios quando a palavra escrita, nos dias de hoje, vale tão pouco?
Acho que a simples razão para perder tempo neste prazer de poucos é que se não me expressasse em letras para ninguém, as emoções seriam barradas por palavras a alguém.
Sou donzela confusa com mais pensamentos que ações e mais contos do que vidas.
Sou o que sou. Um nome esquecido em meio a livros empoeirados ou ao papel que tem poucos momentos para respirar antes de ser prensado contra seus irmãos para esconder um doce segredo...
Um nome, uma identidade, sonhos refletidos em traços vivos de poesia...
Que perecerão no tempo e na lembrança, mas que se deleitam com o hoje, enquanto ele passa nas badaladas do relógio, sempre mais perto do inesperado fim...
Sou a donzela que não clama por um príncipe.
Sou aquela sem nome com o nome de todas.
Sou a única donzela que conheço que fala sentimentos através de frias letras, e uma das poucas que consegue lhes devolver o calor que outrora possuíram...
Sou a donzela que muitas vêem no espelho todo dia, mas não tem coragem de deixá-la desabrochar.
Sou a donzela falando em nome da corte, a guerreira em nome de seus soldados, a garota em nome de seus sentimentos.

Lara Vic.

11 julho 2011

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Ressentimento




A chuva caia impiedosa. Ele conseguia ver Vanessa encostada em um dos pilares da abandonada construção. Assim que ela o viu, seus olhos se encheram de uma fúria que ele já conhecia.
-Se está aqui para pedir perdão mais uma vez, eu voltaria para a chuva - ela disse, as palavras afiadas como uma lâmina.
-Estou apenas me escondendo da chuva, Vanessa. Agradeceria se você me ignorasse.
-Te ignorar? - A voz dela subiu uma oitava - Eu quero que você morra pelo que fez a mim e a minha família! Você nos humilhou,  Carter, e nunca mais queremos ver esta sua expressão arrogante por aqui novamente!
Ele virou o rosto. Aquilo doeu mais que um tapa, que ele saberia que ganharia caso se aproximasse mais.
-Não é só sua família - Disse Carter, falando apenas alto o bastante para que sua voz superasse a chuva. - No momento em que eu aceitei sua irmã em matrimônio, passou a ser minha família também.
Ela se aproximou dele, tendo que levantar o queixo para encarar seus olhos. Sua palavras seguintes foram baixas, porém firmes:
-Minha irmã está morta. - Ela fez uma pausa e deixou as palavras preencherem o ar entre eles  - Sua mulher está morta, e seus filhos reconhecem mais meu irmão como pai deles do que você. Se por algum momento entre a cerimônia de casamento e o desaparecimento dela você pertenceu a nossa família, acabou quando ela deu o último suspiro.
Ele se afastou, sem emoções, quase cínico. Só ele sabia o quanto havia sofrido pela morte de Luciana. Se a chuva continuasse mais um mês, não conseguiria se equiparar ás lágrimas que ele chorou em uma semana.
Finalmente, falou:
-Eu amei minha mulher e amo meus filhos, que como você deve lembrar-se foram afastados de mim pela sua mãe! - ele controlou a voz o máximo que pode – Vanessa, entre todos, eu acreditei que você pudesse me entender, quando eu viajei estes meses e não compareci ao funeral. Saber que ela estaria ali e eu não poderia toca-la, sentir seu cheiro ou ver seu sorriso...Eu viajei não para esquecer, mas para aprender a viver sem. Luciana é inesquecível, e eu nunca superarei sua morte completamente, mas será que podemos nos encontrar ao menos uma vez sem que você me lembre dela?
-Não - Ela saboreou a palavra para magoar o homem que culpava pela morte de sua melhor amiga.
Eles se encararam por um longo silêncio.
-Então não virei mais aqui, e a próxima notícia que terá de mim será minha morte, daqui a muitos anos. Diga aos meus filhos que mandarei uma carruagem, caso queiram viver comigo. Caso contrário, não guardarei mágoa deles.
Ela entendeu a indireta.
-Adeus Carter - disse fazendo uma cópia cômica do que seria uma reverência respeitosa
-Adeus Vanessa - disse ele virando as costas dignamente.
E nunca mais ouviu-se falar daquele homem por estas bandas.


Lara Vic.
2

Perdão




"O preço que se paga às vezes é alto demais"
A voz de seu namorado dava voltas em sua mente.
Namorado? Ex? Quem era aquele rosto que ela já não reconhecia?
Ele não aceitava. Não aceitava que ela tinha de sair daquela cidade pequena que a sufocava, não aceitava que seus sonhos nunca se realizariam no interior... Por que aceitaria? Ela sempre concordou com ele, sempre abriu mão de sua opinião própria para ficar com o homem que supostamente amava.
Mas não dessa vez.
A discussão dava voltas em sua mente enquanto se acomodava no banco do ônibus. Ajeitou o cinto que sufocava seu pescoço, e por um segundo perguntou se ele doeria muito se fosse apertado com apenas um pouco mais de força...
Não! Ela pensou, confiante. Isso não vai ser o fim da minha vida, este é apenas o começo!
Ela lembrou como o rosto dele empalideceu quando disse que tinha comprado duas passagens para São Paulo. Como ele ficou irritado quando ela disse a pura verdade de que ele nunca aceitaria fazer algo que não fosse para si mesmo. Como ele gritou com ela e disse que entrasse naquele ônibus sozinha, ficaria assim para sempre.
Ela olhou para a janela, ignorando a visão do banco vazio ao seu lado. Isso fora a uma semana, e dês daquele dia ele tentou falar com ela novamente, mas ela estava magoada.
Apesar da insistência, não atendeu ao telefonema,  nem aos milhares seguintes que se seguiram. Apagava as mensagens de sua secretária eletrônica sem nem ouvir, e não quis mais pensar nele.
Manteve os olhos fixos a sua frente, incapaz de ver o seu antigo lar sumindo a quilômetros por hora. O  homem a sua frente tinha o cabelo exatamente igual ao dele.
-Não, - ela se desiludia - ele nunca voltaria atrás de mim.
Só percebeu que falou em voz alta quando o homem sentado a sua frente virou-se e deu um sorriso.
Um sorriso que ela conhecia.
-Posso saber por que está tão triste? - A voz conhecida a fez tremer.
-Estou viajando atrás do meu sonho, mas meu namorado não aprovou.
Ele se levantou e sentou ao lado dela, sem ser convidado:
-Talvez se você desse a ele uma chance de se desculpar, veria como ele se sentiu um idiota.
-Talvez... - ela deu um sorriso.
-Me perdoa? - ele disse com cara de cachorrinho pidão.
-Não - ela sorriu com a decepção estampada nos olhos dele - Te perdoei quando te vi subindo para o ônibus atrás de mim.
Ela lhe deu um beijo, que selou seu destino, seu futuro e seus sonhos.

Lara Vic.

08 julho 2011

0

A Decisão



André ajeitou a gravata pela terceira vez e olhou para a família da noiva. Lá estavam os pais, alguns amigos, e todos estavam esperando por ela.
Jennifer estava sumida com sua melhor amiga que a estava preparando. Já estava atrasada uma hora, e nenhuma  das duas atendia o telefone. André estava começando a suar e tremer. Não podia da nada errado.
Enquanto isso, Jennifer colocava o vestido de noiva apressada, enquanto sua amiga chamava um táxi e fazia outras ligações.
Entrando no táxi, deu de cara com seu ex-namorado sentado no banco, olhando profundamente para ela. Seu coração hesitou. Ela virou para a sua amiga mas esta já havia corrido para outro táxi e estava longe de seus gritos.
-Jennifer... - ele começou. Ela se perdia em seus olhos negros de uma maneira que nunca aconteceria com André, disso tinha certeza. - eu sei que não devia fazer isso... Mas eu queria falar com você antes de qualquer coisa, só nós dois!
-Paulo... - A boca dela saboreava seu nome. Não podia pensar isso algumas horas antes do casamento, mas não tinha controle sob sua mente - você sabe meus motivos, eu gosto muito de você, mas isso não é amor! Você não me ama, vai descobrir isso!
-Se isso não é amor, então como nós sairemos disso? - Falou ele e antes que ela pudesse respirar puxou-a para um beijo.
Ela sentiu seu gosto, sentiu a paixão, fogos de artifícios, coisa que ela não sentia dês do triste término dos dois. Retribuiu o beijo, mas depois o rejeitou. O motorista do táxi havia sido pago para ficar fora por alguns minutos, mas finalmente entrou e perguntou o destino.
Eles se olharam e Paulo falou:
-O destino está na sua mão agora. Basta dizer o que quer.
Ela o encarou com lágrimas no olhar, e ficou um longo minuto pensando o que isso mudaria na sua vida. Em uma mão tinha uma vida próspera com um homem que a amava mas que ela já não tinha certeza se amava. Na outra o homem que ela sempre amou e que a levaria para uma vida incerta que a família desaprovaria por não ser da alta sociedade.
Finalmente suspirou e pegou o telefone, ligando para sua amiga:
-Avise a todos que houve uma mudança de planos.
Sorrindo para Paulo, tirou a grinalda e disse:
-Leve ao aeroporto mais próximo!
E o carro engatou para deixar vazia a rua, onde ninguém saberia da dramática história que ocorrera.

Lara Vic.

30 junho 2011

2

Pequena Condição...

 

-Por que você não falou mais comigo? - o hálito de tequila era claro em sua boca e o sufocava
-Por que você veio atrás de mim? - ele respondeu com outra pergunta enquanto a segurava contra o peito, não como sua ex-namorada, mas como um filhote machucado.
-Eu precisava que você dissesse. Que você admitisse que... que...- ela começou a chorar enquanto ele a deitava na cama.
O quarto dela não mudara nada dês da última vez em que esteve ali. E já faziam meses... A última vez que estiveram lá como um casal.
-...que não me amava mais... - a voz dela foi perdendo a entonação enquanto ela tentava terminar a frase. 
Ela não lembraria de nada no dia seguinte e a verdade pesava em seu coração e doía em sua garganta. Ele sabia que tinha que contar para alguém.
-Eu te amo do mais fundo do meu coração. Eu só não queria te fazer sofrer, por isso eu sumi. Eu esperava que você me odiasse e seguisse com a vida!
-Te odiar? - a voz era fraca e irregular, mas ele não tinha dúvida de que cada palavra era verdadeira - Nunca te odiaria, eu te amo, essa sempre foi a minha verdade dês de a primeira vez que te vi.
Lágrimas ameaçavam correr por seu rosto. Ele ia sair para secá-las, mas ela o segurou. Um toque na ponta de seus dedos, e ele não iria sair de lá nunca mais. 
-Você realmente me ama? - ela sussurrou
-Sim - ele falou, seguro como nunca
-Então não me deixe aqui sozinha, e, quando eu acordar, esteja do meu lado. Apenas se você realmente me ama - seus olhos fecharam e ele soube que seria inútil tentar acordá-la tão cedo.
Ajeitou-se na cama e apoiou a cabeça dela em seu peito, como sabia que ela gostava. Ela se sentia segura daquela maneira.
Olhou para a porta de maneira tentadora. Ela nunca saberia se ele fosse embora. Ela nunca lembraria de nada.
Apenas se você realmente me ama, a frase dava voltas em sua mente, e ele só percebeu que a decisão havia sido tomada quando ela começou a se remexer ao seu lado e o Sol já brilhava alto na janela. Ela abriu os olhos e ele disse:
-Eu realmente te amo
-Eu já sabia - ela respondeu com voz sonolenta e voltou a dormir. Desta vez ele a acompanhou.


Lara Vic.

29 junho 2011

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Esperando...

Link da Imagem

Eu estava esperando ela. Todos esses anos olhei para o mar e aguardei algum sinal de sua longa cabeleira.
Muitos me disseram para esquecer, muitos que era loucura, e outros ainda riram de mim, mas eu nunca esqueceria dos dois olhos mais verdes e tempestuosos que o mar.
Eu estava sentado no mesmo banco, quando ouvi um grito de mulher. Na ocasião o lugar ainda não era um porto tão badalado, e no meio da noite eu era a única alma ali.
Me ergui cambaleante. Eu estava bêbado, sem motivo ou razão. Eu apenas queria ficar fora das coisas mundanas da vida. Foi meu maior erro.
Corri trocando as pernas e cai de joelhos na areia. Irritado com a areia nos olhos, decidi que fora só minha imaginação bêbada.
Foi quando a vi.
Cabelos preto-azulados se misturavam com o cenário que repentinamente se tornara mítico, e olhos verdes se destacavam parecendo olhar no meu mais profundo íntimo.
Quase hipnotizado, levantei e andei até a linda mulher. Ela estava a alguns metros da água, deitada na areia com a perna direita sangrando. Usava apenas um trapo enrolado sob o corpo e chorava desesperadamente.
Corri até lá e tentei acalma-la. Quando viu que eu não a feriria, ela me pediu para que lavasse o ferimento.
Eu levantei para pegar uma garrafinha de água que estava onde eu deixara, mas ela implorou eu eu a levasse par ao mar, mesmo que ardesse.
Eu a segurei no colo e carreguei-a até que a água salgada me cobrisse a cintura. Só então coloquei-a numa posição que o corte fosse lavado.
O rosto dela se contorceu de dor, mas não falou nada. De repente uma corrente de eletricidade passou por minhas mãos e eu soltei a mulher com um choque de dor. Ela afundou e uma cauda de peixe bateu no lugar onde ela havia caído. Depois apenas um vulto negro se movia embaixo da água cristalina.
Eu fiquei lá parado, boquiaberto, olhando para o horizonto. Muito ao longe, vi um vulto se levantar. Eu senti aquela voz porque nunca ouviria nada de tal distância:
-Eu voltarei. Só peço que esteja aqui.
E por isso eu a aguardo até hoje, aqui, sentado nesse banco. Já disseram que eu estava apenas bêbado e que deveria esquecer, e talvez estejam certos.
Mas aqueles olhos verdes eu nunca poderia imaginar, e nem a noite em que eles apareceram para mim em um sonho, mandando escrever a minha história.
Agora já vou. Posso senti-la me pedindo para encontra-la. Deixarei esse papel aqui, para que lembrem de mim.
E aos que ficam, um abraço.

Lara Vic.

28 junho 2011

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O Piquenique


Alguns minutos antes do Sol nascer, Vânia saiu pela janela de seu quarto com a cesta de piquenique e seu vestido mais belo. Correu até o ponto de encontro e lá arrumou tudo.
Naquela noite, mal conseguiu dormir, tamanha era sua ansiedade para que a aurora chegasse.
Abriu a doce cestinha e tirou de lá tirou um lençol xadrez que serviria de tapete, e lentamente retirou a garrafa de vinho, junto com os pratos de porcelana e o queijo.
Deixou lá dentro ainda um pedaço de pão e uma caixa com bombons. Tudo fora preparado com o maior carinho que ela podia conceber.
Cortava o queijo em fatias enquanto o Sol nascia, e parou por um momento para apreciar a cena.
Viu contra a luz dourada o vulto do seu esperado. Com um sorriso no rosto retomou a tarefa para fingir ser pega de surpresa.
Ouviu os passos na grama ainda molhada de orvalho às suas costas e esperou que mãos conhecidas enlaçassem sua cintura e a levantassem para um beijo. Sentiu a falta do calor do Sol mas ainda o via refletido na faca que segurava, então soube que o esperado estava bem atrás dela. Sentia sua respiração que se juntava ao barulho do coração acelerado enquanto o momento de suspense se estendia.
A sombra foi aumentando e ela viu que ele chegava cada vez mais perto. Já podia sentir o gosto dos lábios que lhe foram proibidos pelo pai. Será que a proibição que tornava tudo isso uma aventura tão emocionante?
Ela o ouviu recostar a bicicleta vermelha na árvore que demarcava o ponto de encontro. Era agora ou nunca.
-Vânia?
Todo seu corpo tremeu quando ele sussurrou seu nome. Sem aguentar mais o suspense, ela levantou para  abraça-lo.
O olhar de tristeza a deteu mais rápido que todas as proibições de seus pais juntas. Era como uma parede de tijolos.
-O que houve? - Ela sussurrou
Ele desviou o olhar. Seus olhos azuis claríssimos pareciam conter a pior notícia do mundo. Mas ela já sabia, e começou a gritar:
-Não! Não ouça eles! Eles não me conhecem! Você me conhece! Eu te amo! - e lágrimas lavaram o seu rosto em meio a dolorosos soluços.
Ele segurou o rosto dela entre as mãos, e seus olhos ficaram a centímetros de distância. As palavras seguintes foram desnecessárias, pois ela já tinha entendido:
-Eles querem alguém que possa te dar algo que eu não tenho Vânia. Algo que você merece!Eu...
-Mereço mais que amor? - Ela o interrompeu.
-O que é o amor se não uma maldição? - Ele gritou e desviou o olhar. Em seguida continuou - Eu te amo, e quero o melhor para você. Não torne isso mais difícil do que está sendo.
-Então me considere amaldiçoada por você! - Ela soluçava
-Então eu te liberto desta maldição.
Ele se soltou dos braços que o agarravam, virou de costas e disse ainda:
-Faça como se eu nunca tivesse vindo aqui.
Ela calou seus soluços e viu ele desaparecer. Olhou para baixo. Lá estava o queijo que ela cortava e a garrafa de vinho. Sentou-se, e como se ele nunca tivesse vindo, se forçou a colocar um sorriso no rosto e voltou a fatiar. Quando terminou, levantou os olhos para a rubra bicicleta e percebeu que sempre fora intenção dele deixá-la ali. Foi se sentar e encontrou um bilhete na cestinha. Lá, na caligrafia que já lhe era familiar, as palavras aqueciam seu coração.


Faça como se eu nunca tivesse vindo aqui. Como se você tivesse errado o dia do nosso encontro e quando seu pai estiver te esperando dentro de casa fale que eu terminei tudo.
Mesma hora amanhã?


E, sorrindo, ela arrumou tudo e voltou para casa, onde o pai consolador a esperava.

Lara Vic.