20 setembro 2011

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Missão Cumprida

Gostei de escrever esse texto... acho que ficou bom! o que acharam? beeijos!


Cheguei na praça onde costumava pintar. Aquele era meu local favorito, pois as pessoas eram sempre descontraídas e engraçadas. Montei meu cavalete lá pela última vez, no meu lugar já consagrado.
Algumas pessoas já me eram familiares e outras novas me chamavam a atenção. Esforcei-me para não deixar a tristeza passar por entre meus olhos. Seria a última vez em que retrataria as luzes perfeitas do pôr-do-sol naquele lugar. Nunca mais procuraria o tom exato do verde-esmeralda das árvores, e nunca, nunca mais me perderia em reflexos cheios de significados em meio aquele grande lago.
Mas é como uma saudade de um tempo que ainda não passou, dizia Lenine. Não entendo porque me apeguei tanto a um lugar e a pessoas que nem sabem meu nome. Não entendo porque não desejei mudar as paisagens de meus quadros e as imagens de meus horizontes, mas parecia que algo me prendia àquela praça.
Abri minhas tintas e escolhi meus pincéis. Apenas os melhores para a minha despedida. No dia seguinte voltaria para o Brasil, e queria deixar este último presente para a França.
Vi um homem e uma mulher chegarem e sentarem observando o lago. Bufei. Não era isso que eu queria. Isso era algo que todo mundo já viu, e que solteiras como eu cansaram de ver. Eu poderia ter revirado os olhos e buscado algo mais interessante, mas não consegui me desprender deles.
Algo nos dois era especial. Aquilo sim eu poderia chamar de l'amour. Eu nunca entendera porque Paris era tão conhecida como a cidade do amor. Passei um ano lá esclarecendo para todos meus amigos brasileiros que aquilo era mentira, mas vendo o casal...
O jeito como pegavam as mãos... Como sorriam... Entreti-me em uma conversa inexistente entre olhares que se tornavam cada vez mais difíceis de enxergar por causa do Sol. Mais rápido do que eu previa, a minha preciosa luz estava acabando e eu só pintara o cenário.
Mas eu não ligava. Parecia que nada importava. Apenas os dois. Vi quando ela se levantou e puxou-o pela mão. Àquele ponto eu já havia inventado milhares de nomes para ela e ele. Ana? Rodolfo? Letícia? Renato? Eram tantas incógnitas que se firmavam nas curvas do cabelo dela e na gola da camisa dele que eu me esquecia de mim.
Ela o puxava insistentemente, até que ele se levantou. Aquele ponto eu só via silhuetas dançando a minha frente, e como me encantavam!
Ela começou a dar piruetas enquanto ele sorria com cara de bobo (pelo menos eu imaginava). A imagem aqueceu meu coração e passou todas as dúvidas para longe. Afundei o pincel na tinta preta e comecei a trabalhar uma imagem que para sempre ficou impressa na minha mente.
Quando terminei, tinha meu quadro mais lindo e romântico que já fizera em toda a minha vida, e não mais me arrependi em voltar ao Brasil. Terminei minha missão em Paris, e levei-a comigo no avião com muito gosto.

6 comentários:

  1. Oii, adorei o texto e a forma como você escreve leve e tão bem!!

    Bjss

    http://agarotaperfeitatemdefeitos.blogspot.com/

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  2. Ameei, ficou lindo demais!! Diferente dos que eu já li. Boa sorte no projeto :)

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  3. oi flor, o texto ta perfeito, fiquei imaginando os detalhes, o quadro, tudo, ficou lindo demais parabens, bjs

    www.umteko.blogspot.com

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  4. Que linda "história", acho que temos que levar marcado mesmo os lugares em que passamos, porque de alguma forma essas memórias em forma de imagem/pintura tem sentimentos
    Adorei teu texto

    http://senhoritaliberdade.blogspot.com/

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  5. Ain que encanto de história. Por alguns momentos me vi nela, é tão bom retratarmos algo assim. Parabéns Lara, adorei demais seu espaço e vou seguir. *-*

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