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05 dezembro 2011

9

Quebrando Correntes

Um grande desabafo e uma participação para o bloinques =]
Super baseado na minha vida e escrito com aquela música da Adele Someone Like You e no fim Chasing Pavements... Basicamente um grito de desabafo. Espero que gostem e desculpe a demora, mas amanhã é o último dia de aulas e dia 16 tem surpresinha!! *0*
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Entrei no meu quarto depois do dia mais difícil da minha vida. Pela primeira vez aquela bagunça não era tão acolhedora. O silêncio era sufocante e o rádio só tocava músicas de amor. Abri a janela e o próprio sol pareceu zombar de mim, se escondendo atrás de uma nuvem.
Me sentei no chão e abracei os joelhos. Não queria um conselho, mesmo que concordasse com ele. Algumas pessoas concordavam comigo dizendo que eu tomei a decisão errada, e outras diziam contra a minha vontade que eu tomei a decisão certa. Era com estas que eu gostava de conversar. Foi o certo.
Foi, não foi?
Lágrimas eram criadas em meus olhos e embaçavam minha visão. Gostei mais do mundo assim. Sem nada nítido. Preto, branco, certo, errado, amor, ódio, feliz, triste..
Eu estava sozinha em casa. Que bênção. Se minha mãe me visse naquele estado, ia se desesperar.
Comecei a gritar. Joguei toda a minha tristeza em minha voz. Comecei a chutar a cadeira e a escrivaninha, me machucando e machucando o quarto. Eu não ligava. Eu estava com ódio. Ódio dele e de mim.
Foi quando caiu da escrivaninha um chaveiro. Uma coisinha barata, e sem valos para a sociedade capitalista de hoje. Mas com muito valor para mim.
Metade de um coração com o nome dele escrito de um lado, e um pedaço da palavra "forever" no outro. Aquela era a única lembrança que eu tinha dele. As palavras e ações desapareceriam com o tempo. As cartas estragariam, e até a lembrança de seu rosto seria apagada de minha mente. Mas aquilo era uma algema que me ligava a ele. Algo que não me permitia ir para frente, algo que me tornava dependente dele, ainda.
Não exitei. Na frente da casa onde tinha apenas concreto, joguei todas as suas cartas e as vi queimar. Lentamente, poesia e amor se tornavam cinzas. Com uma lágrima de despedida, e vendo o mundo nítido novamente, joguei o chaveiro no fogo, que se derreteu lentamente, quebrando minhas correntes.
Sim, agora eu estava livre.

29 novembro 2011

5

Meu Maior Medo

Gente, me desculpem ficar tanto tempo sem postar. Não tem desculpa né? comentário ultimamente não faltou! haha
É claro que a maioria nem leu o poema, mas enfim...
Essa época tá tensa, afinal tem que recuperar e manter notas e tal... Mas dia sete acaba e ai no aniversário do blog eu tenho uma surpresa para vocês! Haha que emoção! Estou trabalhando muito nisso! não vou trocar o nome do blog de novo, fiquem calmos haha.
Enfim, essa carta é para o bloinques, mas como sempre, tem um fundinho pessoal... eu ando meio depressiva ultimamente hehe.
Bom proveito, e comentem!

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Zack, depois de tanto tempo estou lhe escrevendo. Naquele dia que nós brigamos, uma de suas frases continuou martelando em minha cabeça depois que você bateu a porta com força: Afinal, do que você tem medo?
Você falou isso com tanta raiva nos olhos que eu realmente fiquei sem palavras, mas não com medo. Não tive medo quando começamos a brigar, nem quando você começou a me ameaçar. Mas quando você saiu por aquela porta, senti medo. Sim, muito medo.
Medo de ficar sozinha. Medo de morrer sozinha. Medo de não ser lembrada.
Não tenho medo do que as pessoas normais tem. Quebrar um coração, sofrer algum dano físico... Tudo pode ser ultrapassado com amigos e família.
Mas Zack, você é meu amigo e minha família. Você é meu irmão, meu melhor amigo, meu único amigo.
Claro, você não é o único "amigo". Mas o que eu posso chamar de amigo? Qualquer uma das meninas que me abraça e me fala como estou linda, ou você que ri da minha cara e diz que eu estou um lixo? A resposta é óbvia. A sinceridade dói. Muito.
Eu lhe imploro que me perdoe. Não é que eu sou corajosa. eu sou medrosa, e muito. Mas meu medo é outro! Você tem certeza de que será lembrado, você é incrível, e chama atenção por onde passa. Eu me escondo nas sombras, me perco na esquina e não sou vista em nenhum dos lados, por estar na frente. Eu sou invisível.
Zack, volte, por favor. Não me deixe sozinha, não me deixe ser invisível. Eu tenho medo... Você é o irmão mais velho! Não deve me proteger?
Encarecidamente, Vitória.

21 outubro 2011

6

Detalhes

Hiiiiiiii peoples!
Eu gostei bastante desse! reparei que faz tempo que não faço um poemas ><
Ah, quero boas vibrações para minha competição de karate amanhã em SP ok? Pleeeeease *0*
Beeijos!
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O fio do bordado
O som do miado
O brilho prateado
O passo caminhado

O menino educado
A dor do passado
Aquele bom carteado
Foi bom, mas mudado

Detalhes da vida
Eu quero juntar
Com a linha de costura
(Outro detalhe a considerar!)

Um ponto ali
E outro acolá
Cruz e arroz
Para juntar

Vidas detalhistas
Detalhes da vida
Um grão de areia
Ou a praia inteira.

19 outubro 2011

2

Pensamentos

oooops, muito grande, talvez um pouco confuso... sorry guys, mas é que eu me animei. Esses pensamentos dela não são bem de minha autoria. São inspirados no último episódio do anime Soul Eater, porque a imagem me lembrou demais umas cenas lá. Eu gostei muito da parte que eu escrevi no texto, e espero que vocês, se não gostarem, ao menos entendam! haha
beeijos!

Eu estava sozinha. Eram apenas eu e o nada. Apoiada em algum lugar, que eu não ousava olhar, eu encarava o vazio, e para ele me dirigia.
Mas por que estaria eu com medo do simples início de tudo?
Sim, porque em minha cabeça o vazio era o início. Não diziam até mesmo os cristãos, que no início não havia nada?
Um mar sem ondas se estendia a minha frente, sem oferecer respostas, tampouco consolo. O Sol castigava minha vista, mas não me dava calor, parecendo antes um grande refletor de gelo que uma estrela que a ciência idolatra.
Pisquei lentamente. Eu estava com medo. Sempre estava com medo. Medo é a base de tudo, descobri recentemente.
Ciúmes, traição, violência, guerras... Apenas originárias do medo! E o que era o medo, então? Seria a fonte da humanidade...?
Questionava a mim mesma dentro de uma bolha de tranqüilidade, percebendo que se eu tentasse fazer mais alguma coisa que não abraçar meus joelhos, começaria a gritar e provavelmente afundaria.
Desejei estar em casa, onde o medo, pelo menos, era menor.
Fechei os olhos, absorta em meu dilema interior. Seria o medo tudo? Talvez a sociedade fosse dividida entre os que têm e os que não tem medo. Todos sabem que não é pelo bem e pelo mal, não é?
Mas o que poderia existir além de medo? Naquele lugar assustador, com apenas um gigante tapete de cor fúnebre se estendendo até todos os horizontes que minha vista alcançava, eu dificilmente encontraria uma inspiração para esta resposta.
Senti algo caindo em meus pés, e sem querer olhei para baixo. Assustada, reparei que estivera o tempo todo em minha cama. Minha fonte de calor era meu cobertor puído de vários anos, e o que eu apertava contra o rosto era meu travesseiro.
Mas o que me fizera abaixar o olhar fora uma pena vermelha, que caíra do céu. Peguei-a com a mão, e olhei para cima, buscando o mensageiro que queria me dar a resposta final.
Um pássaro lindo, sem raça ou gênero, não voava para nenhum dos horizontes: Ele buscava o Sol, e em meio a luta, deixou cair para mim um lembrete de vida.
Coragem, o fundo de minha cabeça sussurrou. É isso que existe.
Mas coragem não é quem consegue enfrentar o medo? Questionei
E o que você acha que usaria para enfrentar o medo? Retrucou.
Segurei a respiração e soltei. Aproveitei e dei ainda uma longa risada. Tanto que fechei os olhos.
Coragem.
A resposta parecia tão óbvia, mas tão simples... Uma palavra derrubava minha teoria inteira...
E que teoria ridícula, não é?
Abri os olhos, e vi como o céu era azul e o mar esverdeado. Vi o pássaro vermelho bem ao longe chegando ao seu amado, e me senti tranqüila.
Coloquei a pena embaixo do travesseiro, e, exausta, adormeci. Quando acordei não me surpreendi em ver meu colchão em seu devido lugar, mas talvez tenha me surpreendido um pouco com a bela pena vermelha em minha mão, a qual carrego até hoje.

18 outubro 2011

4

A Carta Nunca Lida

Gente, isso é meio que baseado na vida real, mas bem fantasia. Me identifiquei muito com a frase do bloinques, mas digamos que se eu colocasse o real remetente, daria briga haha.
Espero que gostem. Beeijos!
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Ian, nós temos que conversar. Você está estranho comigo. Não me conta mais segredos, e quando me liga ou me dirige a palavra é para pedir alguma coisa.
Eu te mando esta carta expressando toda minha angústia. Você sabe (deveria saber, pois eu sempre te contava tudo) que só escrevo algo quando o sentimento me transborda. Depois do acidente minha vida nunca mais foi a mesma. Depois daquele beijo Ian...
Eu não tenho nem palavras para expressar o que senti no breve segundo em que nossos lábios se tocaram. As pessoas dizem que beijo não é tudo aquilo, que é bom, mas nem tanto... Elas nunca beijaram com aquele sentimento.
Mas eu não vou mais me estender nesse assunto se você tenta fugir dele. Eu estou escrevendo essa carta, mas minha mente vaga sob sua reação, e ainda mais em como vou colocar este papel nas suas mãos.
O que eu quero dizer, em meio a delongas e talvez até um pouco de poesia, de que eu sei que você nunca foi fã, é que eu sinto algo por você.
Não é algo tão pequeno que possa morrer rapidamente, mas não é tão grande que não possa ser ignorado. E eu digo que, se você quiser, eu abro mão disso para ficar sempre ao seu lado, apenas como uma amiga. Saiba que eu serei sempre a mais fiel, e mais companheira...
Provavelmente a mais apaixonada, mas isso eu supero. Sempre superei coisas assim, você bem deve se lembrar de nossas incontáveis lembranças.
Mas ao menos estarei ao seu lado, e é isso que desejo. Nunca mais tentarei nada, como no fatídico dia do qual tento me arrepender, mas não consigo.
Ian desculpe-me por aquilo. Pode perdoar uma garota por um erro bobo? Você sempre disse que herrar é umano, espero que isso se estenda além da gramática.
Bom, me despeço aqui. Você nunca gostou de ler muito, não é? O que mais quiser saber, saberá por palavras.
Espero que possamos voltar a ser o que éramos antes, seja lá o que for. Beijos da Layla.


***
Fechei o caderno que sempre embalou meus pensamentos. A carta que nunca seria lida me pesava na alma, mas foi bom colocá-la no papel. Naquele dia dormi de coração leve, e no seguinte pude encará-lo nos olhos.
Mas ele nunca leria aquilo.

30 setembro 2011

9

Novos Tempos


Fiz para a edição bloinques... fiquem tranquilos, não sou tão depressiva XD
Fiz ouvindo essa música, que talvez nem todos gostem da letra, mas é muito boa como trilha sonora. Eu coloquei já que todo mundo gostou da última ><
Boa leitura!
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Os sinos da igreja próxima enchiam seus ouvidos. A mão tremia, e a caneta insistia em fugir para longe, sendo logo recapturada e escrevendo à força palavras tristes e decisivas. Uma carta: A última carta.

Palavras obrigatórias como “Desculpe”, ou “Não sintam minha falta” eram desnecessárias. Quem sentiria sua falta que valesse à pena se desculpar? Ninguém.
E ela escrevia, e traçava seu destino conforme desenhava com cuidado a letra cursiva que todos consideravam feia. Mas ela não ligava. Nunca mais escreveria depois daquela carta.
Seu cabelo feio e desbotado caía sob seu rosto, e ela o colocava para cima. Pensava que logo ele não seria mais preocupação.
Batucava o pé no chão com impaciência, este sempre fora um de seus maiores vícios. Nunca mais se desculparia por isso.
Murmurava o que escrevia, vendo se as palavras faziam sentido se lançadas ao ar. Não faziam. Mas ela continuava. Não era missão dela entender depois o que estivesse escrito.
Uma lágrima caiu logo acima do ponto final. Dramático, claro. Era assim que ela queria seu fim: Dramático.
Jogou a caneta longe, onde a luz do pequeno abajur já não alcançava. A caneta lá se escondeu, parecendo satisfeita em não ter mais que participar de tão mórbida tarefa.
Ela sufocou o choro. Nenhuma lágrima. Queria que chorassem por ela.
Sua garganta doía. Estendeu as mãos secas até o papel rabiscado. Sentiu-o sob suas mãos. Liso... Maculado por palavras devastadoras.
Releu a carta, amassou o papel e os seus olhos se encheram de lágrimas. Desatou a chorar. Chorou a morte de seus pais e o afastamento de seus amigos. Chorou seus problemas e quando eles acabaram chorou os problemas dos outros. Chorou tanto, que quando parou de chorar, se perguntou se ainda havia água em seu corpo. E ela não tinha amiga nenhuma com quem chorar.
Levantou-se da mesinha onde passara a tarde escrevendo. Andou pela casa. Visitou cada um de seus escuros cômodos. Frios... Vazios...
Abriu a janela da sala. O Sol se punha e ela sabia que a Lua estava a caminho.
Ficou olhando para a luz do Sol, que desaparecia, e deixava uma escuridão angustiante. Olhou para o abajur da sala, que parecia aconchegante e confortador.
O céu ficou negro, e o abajur tornou-se a única fonte de luz. Ele se aproximou um passo dele, e outro, e outro... Para acabar com tudo... De uma vez...
Mas uma outra luz apareceu. Suave, quase doce.
Ela se virou, e viu a Lua. Seu brilho era tão fraco, que ela apagou o abajur. Ao ver a carta sumir na escuridão, sentiu-se livre...
Sentiu o peso de todas as lágrimas choradas indo embora...
Sorriu para a Lua, achou que a Lua sorriu de volta.
Pegou a carta, acendeu um fósforo e ficou observando-a queimar.
Respirou fundo. Uma brisa foi mandada pela janela e bateu em cheio em seu rosto. Era fresca e animadora.
Eram os ventos de novos tempos.

27 setembro 2011

8

A Consulta

Eu sei que demorei... Mas queria alguns comentários naquele texto e como não gosto de obrigar as pessoas a comentar nele...
Enfim, esse é para o bloinques, eu fiz ouvindo essa música, que acabou dando um tom praiano ao texto.
Bom, é isso. beijos!
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-Então querida, como foi sua semana?
-Minha semana foi linda, romântica, animada e festiva!
-Então por que você ainda vem aqui? - perguntou ela com uma cara de espanto
-Porque é mentira.
Minha semana começou bem. Eu fui bem tratada por meus pais e nem tive vontade de beber. Eu estava bem no trabalho e conseguia passar na frente da escola sem começar a verter lágrimas. Os seus conselhos foram ótimos!
Mas aí, no único dia que eu me arrisquei a ir a praia, ele me viu, e veio falar comigo.
-Ele de novo? - ela já cansara de falar dele.
-Ele de novo. - o que eu podia fazer se ele fazia parte de minha vida?
-Ele chegou devagarzinho... Fingindo querer pegar uma coisa do meu lado. Acabou sentando na minha frente e chegando bem pertinho... Mas eu fui forte, eu juro que fui forte!
Quando ele viu que não ia conseguir um beijo, beijou minha orelha e sussurrou bem fraquinho...: Tem festa na praia sexta à tarde, espero-te aqui mesmo.
Ele saiu, me deixando com saudade de seu calor apesar de o Sol ferver minhas pernas e braços. Mas eu queria o calor dele, sabe?
Para de me olhar desse jeito!
-Não estou olhando, só lembrei do motivo de seus problemas à noite.
-Olha, eu sei, eu sei que ele é um cafajeste, e todos esses momentos podem encontrar um caminho para meus sonhos à noite, eu sei disso... Mas eu não ligo... Eu o amo!
-Mas nós conseguimos tanto progresso! Por que você insiste em voltar para isso?
-Não acho que você entenda. Não acho que faça sentido para alguém que sempre busca padrões nos sentimentos e pensamentos. O que você é afinal? Uma calculadora? Quem te deu o direito de analisar a minha vida? Eu vou nessa festa sim, mas dessa vez ele não vai fazer o que quiser de mim, e eu nunca mais vou precisar voltar aqui! - Me levantei, furiosa e decidida.
-Então, mesma hora semana que vem? - ela falou sem sequer levantar o tom de voz.
Parei na porta com uma lágrima entalada na garganta:
-Sim, como sempre.

20 setembro 2011

6

Missão Cumprida

Gostei de escrever esse texto... acho que ficou bom! o que acharam? beeijos!


Cheguei na praça onde costumava pintar. Aquele era meu local favorito, pois as pessoas eram sempre descontraídas e engraçadas. Montei meu cavalete lá pela última vez, no meu lugar já consagrado.
Algumas pessoas já me eram familiares e outras novas me chamavam a atenção. Esforcei-me para não deixar a tristeza passar por entre meus olhos. Seria a última vez em que retrataria as luzes perfeitas do pôr-do-sol naquele lugar. Nunca mais procuraria o tom exato do verde-esmeralda das árvores, e nunca, nunca mais me perderia em reflexos cheios de significados em meio aquele grande lago.
Mas é como uma saudade de um tempo que ainda não passou, dizia Lenine. Não entendo porque me apeguei tanto a um lugar e a pessoas que nem sabem meu nome. Não entendo porque não desejei mudar as paisagens de meus quadros e as imagens de meus horizontes, mas parecia que algo me prendia àquela praça.
Abri minhas tintas e escolhi meus pincéis. Apenas os melhores para a minha despedida. No dia seguinte voltaria para o Brasil, e queria deixar este último presente para a França.
Vi um homem e uma mulher chegarem e sentarem observando o lago. Bufei. Não era isso que eu queria. Isso era algo que todo mundo já viu, e que solteiras como eu cansaram de ver. Eu poderia ter revirado os olhos e buscado algo mais interessante, mas não consegui me desprender deles.
Algo nos dois era especial. Aquilo sim eu poderia chamar de l'amour. Eu nunca entendera porque Paris era tão conhecida como a cidade do amor. Passei um ano lá esclarecendo para todos meus amigos brasileiros que aquilo era mentira, mas vendo o casal...
O jeito como pegavam as mãos... Como sorriam... Entreti-me em uma conversa inexistente entre olhares que se tornavam cada vez mais difíceis de enxergar por causa do Sol. Mais rápido do que eu previa, a minha preciosa luz estava acabando e eu só pintara o cenário.
Mas eu não ligava. Parecia que nada importava. Apenas os dois. Vi quando ela se levantou e puxou-o pela mão. Àquele ponto eu já havia inventado milhares de nomes para ela e ele. Ana? Rodolfo? Letícia? Renato? Eram tantas incógnitas que se firmavam nas curvas do cabelo dela e na gola da camisa dele que eu me esquecia de mim.
Ela o puxava insistentemente, até que ele se levantou. Aquele ponto eu só via silhuetas dançando a minha frente, e como me encantavam!
Ela começou a dar piruetas enquanto ele sorria com cara de bobo (pelo menos eu imaginava). A imagem aqueceu meu coração e passou todas as dúvidas para longe. Afundei o pincel na tinta preta e comecei a trabalhar uma imagem que para sempre ficou impressa na minha mente.
Quando terminei, tinha meu quadro mais lindo e romântico que já fizera em toda a minha vida, e não mais me arrependi em voltar ao Brasil. Terminei minha missão em Paris, e levei-a comigo no avião com muito gosto.

18 setembro 2011

6

Além E Apenas Amor

Atrasada, cansada... REFORMADA! UHUUU
Tudo bem, eu sei que alguns acabaram de se acostumar com Palavras no Espelho... Mas como no começo do ano ia mudar mesmo, e nem sempre eu tenho uma SUPER DESIGNER fazendo meu blog, resolvi voltar para Recanto da Lara.
Eu pensei muito antes de inventar essa carta, mas quer saber? O recanto é meu e o que eu ponho nele só presta contas a mim!
beijos!
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Rafael, eu sei que você pediu que eu não entrasse mais em contato. Suas palavras ainda ecoam em minha cabeça: "Não me escreva, não fale comigo, não olhe para mim, pois eu não responderei". Mas eu sei que você lerá, então eu escrevi para você esta última carta.
Estou sofrendo, Rafael. Estou sofrendo por você. Eu disse que nuca sofreria por amor, mas por você vale a pena.
Você não ama Teresa. Eu sei que não. Seus olhos não brilham quando ela chega e não sentem dor quando ela sai. Você não ouve fogos de artifício quando a beija e nem sente formigamentos quando a abraça. Isso, meu amor, eu sei que você sentia comigo.
Então por que fingir? Porque aceitar exigências que nada tem a ver conosco? Eu te amo, e eu sei que você me ama! Você já me disse isso tantas vezes...
O mundo não nos respeita? Mentira. Seus pais não aprovam? Você nunca ligou. Mas você não respeita o que sente dentro de si.
Meu amor, eu lhe imploro, desista dela. Volte para mim, que sempre estive aqui de braços abertos para você. Eu conheço teus gostos e nunca te julgarei por eles. Eu sei que o mundo não te respeita, mas ele irá nos respeitar juntos, porque independente de tudo, nosso amor supera todas as barreiras.
Vamos viver juntos, venha ser amado e amar de verdade, pare de mentir para si mesmo e para mim. Rafael assuma quem você é.
Estarei te esperando na sorveteria. Aquela lembra? Onde nos conhecemos. Você pediu sorvete de café e eu de chocolate, mas eles ficavam melhores juntos. Nós começamos a conversar e eu senti no fundo do meu coração que você era tudo o que eu queria.
Case comigo, Rafael. Nem a lei pode ficar entre nós agora. Pode ser que não tenhamos a bênção de um padre, mas Deus com certeza valoriza o que há no coração mais do que na mente.
Eu te amo, e estou te esperando, com um sorvete de chocolate e um de café, na mesa mais longe da porta, como eu sempre soube que você gostava.
Do fundo de meu coração,
Leonardo.

01 setembro 2011

7

Eterna Busca

Gente eu fiz esse poema hoje mas só deu para postar hoje ><
Edição para o projeto bloinques!
Ah, por favor, não esqueçam de votar em mim aqui, está em ordem alfabética ><
Beeeijos!
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Me perco entre brumas de lágrimas
Me procuro entre sangue e dor
Não me encontro em nenhum destes,
Não busquei ainda o amor.

Procuro por alguma luz
Pela felicidade de viver
Mas o que é felicidade,
Se um dia vou morrer?

Sorrio sem alegria,
Beijo sem amor
Grito sem medo
Vivo apenas por...?

Busco felicidade
Mas não sei onde buscar
Não conheço sua forma,
Apenas a quero amar.

29 agosto 2011

2

Sweet Bear

demorei mas postei!
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Lembro quando te conheci com pouco mais que três anos. Seus olhos castanhos tinham mais brilho que os meus. Suas mãozinhas acariciavam meu nariz, meus olhos e minha cabeça. Você me abraçava com força mas eu nunca reclamei.
Mesmo me esquecendo de vez em quando por outros, eu sempre te esperava chegar no quarto para receber o beijo na testa. Vi seu cabelo crescer e suas pernas alongarem. Vi seus braços alcançarem mais longe e senti seus dedos afinarem.
Com o tempo vi os lugares onde meus companheiros ficavam esvaziarem e serem substituídos por música e livros. No final, apenas eu e poucos escolhidos permanecemos aqui.
Hoje não passamos mais tanto tempo juntos, sei que fui trocado por amigas e festas. Sei que seus pensamentos não me incluem e sua imaginação vaga longe de mim. Mas sempre estou aqui para acalentar suas lágrimas como os mais preciosos diamantes, então me abraça forte e diz mais uma vez que estamos distantes de tudo. Conte-me meus segredos e acredite que nunca ninguém os descobrirá. Me taque na parede, descarregue seus sentimentos em mim, porque eu sei que depois suas delicadas mãos virão curar ferimentos. Conte sempre comigo, pois eu sou o único amigo que esteve com você desde o princípio.
É claro que você nunca ouvirá essas palavras de uma boca costurada em um eterno sorriso, mas espero que um dia as sinta refletida em meus vidrados olhos negros, e sinta tudo o que eu sinto no meu interior: Eu te amo.

28 agosto 2011

4

Significados

Perdão perdão perdãaaao ><
desculpa... mas eu postei hoje! Melhor que nada! huhasuauhs
Só uma coisa... eu to participando desse concurso, e queria que vocês votassem em mim lá na enquete! está por ordem alfabética.
Beijos!



Andei pela praia na luz do luar. Sozinha.
Apesar da noite quente, o vento frio castigava minhas pernas e brincava com meu cabelo. Eu sentia como se este paraíso fosse algum tipo de filme de terror. Olhava constantemente para trás me sentindo observada.
Andava a beira do mar em linhas curvas, evitando que a espuma tocasse meus pés. Minha canga ameaçava desamarrar e expor a parte inferior do meu biquini, então eu coloquei as mãos na cintura com força.
Seguindo um caminho desconhecido, vi um ponto onde poderia escalar várias pedras e chegar a um belo penhasco. A Lua cheia iluminava o meu novo desejo.
Amarrei a canga em volta do meu tórax e iniciei a escalada, que no início pareceu fácil.
Com o tempo as pedras se tornaram íngremes e escorregadias. Eu olhei para cima e o penhasco não parecia se aproximar. A força se esvaía de meus braços...
Comecei a ficar sem fôlego. Puxava grandes punhados de ar antes de ver que não eram o suficiente e liberá-los.O desespero tomava conta de mim. Me perguntei se a Lua me traíra, me levando a um caminho falso...
Parei em uma depressão onde eu conseguia ficar confortável. Olhei para cima e o penhasco não parecia ter saído do lugar. Olhei para baixo e vi uma distância fenomenal entre mim e a escuridão marítima...
Apavorada, continuei subindo, até não me restarem mais forças.
Tonta de exaustão, tentei alcançar o próximo ponto, mas a pedra escorregou, e eu fui envolvida pelo abraço do nada...
E com regojizo caí em meio ao breu do mar e do esquecimento, com a mão estendida procurando o ponto de apoio no qual eu confiara.

***

Acordei com um grito entalado na garganta e o suor escorrendo pela testa. Meu coração estava acelerado e minha mão direita procurando desesperadamente algo para agarrar.
Levantei sem sono algum e acendi a luz do meu quarto. Repassei na mente os momentos de terror e adrenalina antes que eles se esvaíssem no mundo dos sonhos.
Com a cabeça apoiada nos joelhos, refleti no que poderia significar um sonho tão diferente, mas não tinha como fugir da dura realidade:
Eu subira no penhasco apenas para saltar.

26 agosto 2011

5

Esquecendo o Ontem




Letícia olhou para a foto favorita sua e do namorado. Seu primo metido a fotógrafo subira na picape e quis porque quis comandá-los como modelos.
Uma lágrima quente correu em seu rosto. Soltou a foto do seu quadro de recados, e acariciou com a ponta dos dedos o cabelo dele.
Então toda a sua raiva apareceu, ela deu um grito e rasgou a foto. A lembrança caiu,  menos partida apenas que seu coração.
-Eu sabia... Sabia que você me traia... - ela murmurava consigo mesma - Eu sabia que aquilo nunca teria um fim, a menos que eu impusesse um.
Ela deu as costas para o quadro de recados, pisando com descuido na foto que guardava com tanto carinhos. Encarou a cama, o quarto... Basicamente o seu habitat,  onde construíra seus sonhos apenas com ele, e ele a traiu.
"Por que?" - ela pensava - "O que ela tinha que eu não tinha... Por que nós não podemos ficar apenas na picape...Conversando como sempre...Por que tínhamos que estragar tudo?"
Ela ficou um minuto parada encarando o quarto. Não permitiu que mais uma lágrima saísse de seus olhos. Foi matando lentamente os pensamentos de dúvidas e arrependimentos, guardando-os para um momento mais propício, como por exemplo embaixo das cobertas, onde ninguém, muito menos ele, saberia de suas fraquezas.
Letícia suspirou e com isso soltou toda a dor no peito.Colocou um sorriso no rosto com algum esforço. Não seria neste dia que ela derramaria mais lágrimas, ou passaria dias dentro de casa. Nesse dia ela superaria o passado.
Abriu o armário e procurou sua melhor roupa enquanto ligava para sua amiga. Hoje ela ia sair, curtir, viver.
E o que aconteceu nos momentos da foto ela carregaria para sempre no coração.Estava marcado a ferro em sua alma. Mas não hoje.
Esta noite Letícia seria apenas o hoje, para amanhã lembrar do ontem.

24 agosto 2011

4

Reerguendo-me

geeeeeente desculpa eu tive umas dificuldades aqui em postar porque meu computador nem tava colocando acentos.... longa história! mas agora tudo normalizou, prometo que não deixo mais vocês de ar assim!
texto para o bloinques!
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Hoje acordei decidida. Cansei de ser dependente. Cansei que você seja meu primeiro pensamento quando acordo e o ultimo quando durmo. Que tipo de obsessão doentia e essa que eu tenho? Odeio tremer quando te vejo só porque você esta sustentando meu mundo. Que droga! Deixe-me cair, me deixe levantar, e acima de tudo, me deixe VIVER.
Eu levanto repassando nossos momentos. Tomo banho tocando no rosto os lugares que queimaram com a sua mão, me visto pensando na roupa que você gostaria...
Droga!Eu ando por ai desejando você ao meu lado e ouvindo sua voz na minha cabeça. Eu estou afundando na obsessão e na beira da loucura...
Eu estou apaixonada, mas pretendo mudar isso.
É por isso que vou viajar. Não quero nem saber, vou embora conhecer pessoas que nunca viram seu rosto ou ouviram seu nome. Vou respirar ar sem o seu perfume e tocar lugares que nunca conheceram sua presença.
Eu vou embora, sim, e eu sei que você partirá também. E por um tempo pensarei apenas em você, especialmente naqueles doze momentos do dia... Quando as horas estão iguais. Mas então o minuto passará, junto com a lembrança, junto com o amor...
E eu me reerguerei sem você.

18 agosto 2011

8

A Mudança


Hesitei em frente a porta fechada. Estendi minha mão lentamente para entrar no lugar que sempre havia sido meu lar. Não posso deixar de lembrar como desejei que lá estivesse nossa televisão e o grande sofá. Não pude deixar de levantar a cabeça para a parede da escada e procurar os papéis que nós grudávamos de lembretes. Segurei o meu álbum de fotos contra o peito com força. Agora ele provavelmente era a única coisa que me ligava a aquele lugar, e ao passado.
Fui até um espaço com janelas onde antigamente havia duas poltronas e um abajur. Sentei no meu lugar de costumo entre as duas poltronas imaginárias, e encarei meu ursinho de pelúcia que fora esquecido na sala. A única lembrança da infância que eu carregara durante os anos. Como me arrependi daquilo no momento.
Segurei-o contra o peito e abri o álbum de fotos. Havia tantas fora do lugar que quando abri milhares caíram no meu colo. Em outra época eu as teria juntado e recolocado no meio do álbum, mas não naquele dia. Naquele dia qualquer lembrança era sagrada.
Cuidadosamente espalhei as fotos em um círculo a minha volta. Meu urso acompanhava tudo com os olhos vidrados. Fotos de casamento, formatura, batismo, namoro, amizades... Estava tudo ali.
A luz do sol dava um brilho dourado as minhas lembranças, e eu sorri. Sorri pela primeira vez dês de que meus pais anunciaram nossa mudança.
Colocadas às últimas fotos, levantei-me e olhei a minha volta. Havia uma aura de lembranças a minha volta, e conforme eu girava para ver todas, me senti como um planeta que trás pequenos satélites a sua órbita.
E foi então que vi.
Não teria nada a ver com sair de minha casa. Não mudaria nada não ter mais o mesmo quarto ou os mesmos vizinhos. O passado era o passado, e ficaria gravado onde sempre esteve: No meu coração.
Por um segundo sorri, e me senti amada por dezenas de fotos com sorrisos vidrados.
Mas o segundo acabou quando a buzina do caminhão de mudança soou.
Ainda feliz, recolhi as fotos e com força segurei o meu ursinho ao lado do álbum. Saí da casa que fora meu lar com um sorriso sem lágrimas. Mudar não estava tirando meu passado. Meu passado estava em mim! Mudar me levava a um novo futuro, e agora, mais que nunca, eu estava pronta para ele.

1

Ela

Link da imagem

Não há solidão aqui
Nunca
A tranquilidade de meus pensamentos
Me é desconhecida

Não é o Bom e o Mau
O Certo e o Errado
Sou apenas eu
E sempre ela

E não há o que dizer
Sobre alguém que não existe
Mas que sempre me atormenta

Pensamentos alheios
Me convencem do errado
Talvez nunca nos conheçamos
Até nos vermos do Outro Lado

09 agosto 2011

4

Livre

Amei escrever essa história! Eu simplesmente amei sair do meu clichê romântico e só para variar escrever outra coisa, e nossa, isso tirou muito do peito!
Não, não fui criada como nos tempos medievais, fiquem tranquilos hahaha
Bom, espero que gostem ^^
Me apaixonei por essa imagem do bloinques, eu tinha que fazer algo *-*

-Não me importa em que ano estamos, ele é um bom rapaz e você vai casar com ele!
-Eu tenho dezenove anos e ele tem quarenta! Será que não passa pela sua cabeça como isso é medieval?
-Não me importa se eu vou ter que te algemar para o altar, mas você vai casar! Agora, vá para o seu quarto!
Bem, eu fui.
Na nossa casa de praia meu pai me deu a notícia. Eu tinha ganhado um casamento arranjado. Sim, eu seria obrigada a casar no começo da minha vida em pleno século XXI.
Eu tentei explicar isso para ele, mas meu pai sempre viveu e me criou em princípios medievais que, se não fosse por minha mãe, hoje eu acharia que usar calça é algo horrível e herege. Não entendo ainda como se casaram.
Então eu abaixei a cabeça, cansada de discutir, e fui para o meu quarto.
Peguei meu biquíni, minha regata, e pulei a janela.
Corri para a garagem e sequestrei a canoa que a família costumava usar para pescar. (Lê-se: Meu pai usava para pescar).Com o coração apertado, arrastei-a sobre a areia usando o máximo das minhas forças. O sol queimava as minhas costas enquanto eu fazia um esforço sobre-humano para puxar o bote sem ajuda nenhuma.
Chegando perto da água, endireitei as costas e olhei para minha casa. Nunca fora um refúgio ou um lugar completamente feliz, e talvez não fosse o lar do qual ouvimos falar em livros e filmes, mas era o único que eu conhecia: Ao lado de meus pais.
Segurei uma lágrima. Voltar estava fora de questão. Eu iria de canoa até o outro lado da ilha, e chegaria lá pela tarde. De lá ligaria para minha mãe, e ela me diria o que fazer.
Empurrei mais um pouco até que a saia estivesse encharcada até a altura de minhas cochas. Com algum esforço subi e coloquei os remos para fora, como já vira meu pai fazer tantas vezes quando sumia no horizonte para pescar o jantar.
Remei, remei e remei até o limite de minhas forças. Perguntei-me por um momento se o casamento com um homem com o dobro de minha idade seria pior que a morte em um lugar onde meu corpo talvez nunca fosse encontrado.
Sim, seria.
Com este pensamento me dando forças, remei até que as árvores ficassem mais próximas, e no limite da exaustão deitei-me para descansar.
Observei atentamente a linha esmeralda que dividia a terra do céu, e deliciei-me vendo as florestas ainda virgens que escondiam mil e um segredos. Naquele momento, com o sol queimando meu rosto, e o gosto do mar em minha boca, eu estava mais confortável que nunca, porque estava livre.
O Sol pareceu gostar de minha afirmação, porque repentinamente o senti em meus olhos, e fui obrigada a cobri-los da maravilhosa visão.
Sentei-me de olhos fechados e quando os abri, já não vi a magia e a poesia de antes, apenas uma única verdade: Qualquer que fosse meu futuro, estava na outra margem.

24 julho 2011

4

Palavras Perfeitas

Quem está sempre por aqui no blog deve saber que não é a primeira vez que coloco um vídeo no lugar da imagem. Mas na verdade não achei nada e o texto tem muito mais magia ouvindo essa música. Além do fato que eu inventei tudo à partir da primeira frase que está em negrito (valeu bloinquês!)
Ah, outra coisinha, vou mudar o layout do blog terça feira, e provavelmente o nome. Não se assustem, mas o Recanto da Lara vai ficar oficialmente em reforma.
beijos e bom divertimento!

Meu nome foi chamado antes do que eu esperava. É claro, pois eu esperava que fosse nunca. Eu nunca estaria pronta.
Fui recebida com uma salva de palmas, e a adrenalina acalmou minha mente da maneira que só acontecia comigo. A minha frente um apoio para um discurso escrito e um microfone encaixado milimetricamente para minha altura. Meu nome foi chamado antes do que eu esperava. É claro, pois eu esperava que fosse nunca. Eu nunca estaria pronta.
Peguei-o e circulei pelo palco. Os refletores ofuscavam meus olhos por isso não via a platéia, que devia estranhar tal reação minha.
Abri minha boca, as palavras fluíam sem minha permissão ou preocupação:
-As palavras perfeitas nunca passaram pela minha mente. Elas não nascem de meus sentimentos como muitos acreditam. Elas brotam do nada, do vento, da água, da existência.
"Nunca soube o que ia escrever antes de colocar o ponto final. Nunca imaginei como ia acabar uma jornada ou uma decisão antes de ver o fim estendido a minha frente."
"E é aqui que vejo o fim. Ele não é amargo como o fim de algo bom. É doce como o começo de algo melhor. E o que começa agora é a busca das palavras perfeitas."
"E essa busca para mim terminou alguns minutos, quando as declarei para o meu verdadeiro amor, nos bastidores." - estendi a mão e Caíque saiu da escuridão - "Eu te amo".
A platéia começou um burburinho baixo. Mulheres suspiravam e homens me questionavam. Continuei:
-Porque amor não é algo que não se diga com freqüência, mas é algo que raramente se sente. Não é algo que possa ser banalizado. É uma promessa que até o último momento você vai querer cumprir, não por dever, simplesmente por ordem do coração. - apontei para o meu que batia descompassado com a presença dele.
Caíque se aproximou de mim, pegou minha mão estendida e ia me dar um beijo...

Quando eu acordei.
Talvez aquelas não sejam as minhas palavras perfeitas, mas isso existe? De fato, com ou sem Caíque, continuarei procurando. Talvez o meu "eu te amo" esteja por aí, rondando minha casa, meu futuro...
Mas enquanto isso uma lágrima amarga me lembrou o sabor das palavras que romperam meu namoro com ele. Foi o amargo fim de algo bom, mas eu espero pacientemente por um recomeço...
O doce começo de algo melhor.

Lara Vic.

11 julho 2011

5

Ressentimento




A chuva caia impiedosa. Ele conseguia ver Vanessa encostada em um dos pilares da abandonada construção. Assim que ela o viu, seus olhos se encheram de uma fúria que ele já conhecia.
-Se está aqui para pedir perdão mais uma vez, eu voltaria para a chuva - ela disse, as palavras afiadas como uma lâmina.
-Estou apenas me escondendo da chuva, Vanessa. Agradeceria se você me ignorasse.
-Te ignorar? - A voz dela subiu uma oitava - Eu quero que você morra pelo que fez a mim e a minha família! Você nos humilhou,  Carter, e nunca mais queremos ver esta sua expressão arrogante por aqui novamente!
Ele virou o rosto. Aquilo doeu mais que um tapa, que ele saberia que ganharia caso se aproximasse mais.
-Não é só sua família - Disse Carter, falando apenas alto o bastante para que sua voz superasse a chuva. - No momento em que eu aceitei sua irmã em matrimônio, passou a ser minha família também.
Ela se aproximou dele, tendo que levantar o queixo para encarar seus olhos. Sua palavras seguintes foram baixas, porém firmes:
-Minha irmã está morta. - Ela fez uma pausa e deixou as palavras preencherem o ar entre eles  - Sua mulher está morta, e seus filhos reconhecem mais meu irmão como pai deles do que você. Se por algum momento entre a cerimônia de casamento e o desaparecimento dela você pertenceu a nossa família, acabou quando ela deu o último suspiro.
Ele se afastou, sem emoções, quase cínico. Só ele sabia o quanto havia sofrido pela morte de Luciana. Se a chuva continuasse mais um mês, não conseguiria se equiparar ás lágrimas que ele chorou em uma semana.
Finalmente, falou:
-Eu amei minha mulher e amo meus filhos, que como você deve lembrar-se foram afastados de mim pela sua mãe! - ele controlou a voz o máximo que pode – Vanessa, entre todos, eu acreditei que você pudesse me entender, quando eu viajei estes meses e não compareci ao funeral. Saber que ela estaria ali e eu não poderia toca-la, sentir seu cheiro ou ver seu sorriso...Eu viajei não para esquecer, mas para aprender a viver sem. Luciana é inesquecível, e eu nunca superarei sua morte completamente, mas será que podemos nos encontrar ao menos uma vez sem que você me lembre dela?
-Não - Ela saboreou a palavra para magoar o homem que culpava pela morte de sua melhor amiga.
Eles se encararam por um longo silêncio.
-Então não virei mais aqui, e a próxima notícia que terá de mim será minha morte, daqui a muitos anos. Diga aos meus filhos que mandarei uma carruagem, caso queiram viver comigo. Caso contrário, não guardarei mágoa deles.
Ela entendeu a indireta.
-Adeus Carter - disse fazendo uma cópia cômica do que seria uma reverência respeitosa
-Adeus Vanessa - disse ele virando as costas dignamente.
E nunca mais ouviu-se falar daquele homem por estas bandas.


Lara Vic.
2

Perdão




"O preço que se paga às vezes é alto demais"
A voz de seu namorado dava voltas em sua mente.
Namorado? Ex? Quem era aquele rosto que ela já não reconhecia?
Ele não aceitava. Não aceitava que ela tinha de sair daquela cidade pequena que a sufocava, não aceitava que seus sonhos nunca se realizariam no interior... Por que aceitaria? Ela sempre concordou com ele, sempre abriu mão de sua opinião própria para ficar com o homem que supostamente amava.
Mas não dessa vez.
A discussão dava voltas em sua mente enquanto se acomodava no banco do ônibus. Ajeitou o cinto que sufocava seu pescoço, e por um segundo perguntou se ele doeria muito se fosse apertado com apenas um pouco mais de força...
Não! Ela pensou, confiante. Isso não vai ser o fim da minha vida, este é apenas o começo!
Ela lembrou como o rosto dele empalideceu quando disse que tinha comprado duas passagens para São Paulo. Como ele ficou irritado quando ela disse a pura verdade de que ele nunca aceitaria fazer algo que não fosse para si mesmo. Como ele gritou com ela e disse que entrasse naquele ônibus sozinha, ficaria assim para sempre.
Ela olhou para a janela, ignorando a visão do banco vazio ao seu lado. Isso fora a uma semana, e dês daquele dia ele tentou falar com ela novamente, mas ela estava magoada.
Apesar da insistência, não atendeu ao telefonema,  nem aos milhares seguintes que se seguiram. Apagava as mensagens de sua secretária eletrônica sem nem ouvir, e não quis mais pensar nele.
Manteve os olhos fixos a sua frente, incapaz de ver o seu antigo lar sumindo a quilômetros por hora. O  homem a sua frente tinha o cabelo exatamente igual ao dele.
-Não, - ela se desiludia - ele nunca voltaria atrás de mim.
Só percebeu que falou em voz alta quando o homem sentado a sua frente virou-se e deu um sorriso.
Um sorriso que ela conhecia.
-Posso saber por que está tão triste? - A voz conhecida a fez tremer.
-Estou viajando atrás do meu sonho, mas meu namorado não aprovou.
Ele se levantou e sentou ao lado dela, sem ser convidado:
-Talvez se você desse a ele uma chance de se desculpar, veria como ele se sentiu um idiota.
-Talvez... - ela deu um sorriso.
-Me perdoa? - ele disse com cara de cachorrinho pidão.
-Não - ela sorriu com a decepção estampada nos olhos dele - Te perdoei quando te vi subindo para o ônibus atrás de mim.
Ela lhe deu um beijo, que selou seu destino, seu futuro e seus sonhos.

Lara Vic.