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Mostrando postagens com marcador Cartas à/de Vitória. Mostrar todas as postagens
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29 novembro 2011

5

Meu Maior Medo

Gente, me desculpem ficar tanto tempo sem postar. Não tem desculpa né? comentário ultimamente não faltou! haha
É claro que a maioria nem leu o poema, mas enfim...
Essa época tá tensa, afinal tem que recuperar e manter notas e tal... Mas dia sete acaba e ai no aniversário do blog eu tenho uma surpresa para vocês! Haha que emoção! Estou trabalhando muito nisso! não vou trocar o nome do blog de novo, fiquem calmos haha.
Enfim, essa carta é para o bloinques, mas como sempre, tem um fundinho pessoal... eu ando meio depressiva ultimamente hehe.
Bom proveito, e comentem!

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Zack, depois de tanto tempo estou lhe escrevendo. Naquele dia que nós brigamos, uma de suas frases continuou martelando em minha cabeça depois que você bateu a porta com força: Afinal, do que você tem medo?
Você falou isso com tanta raiva nos olhos que eu realmente fiquei sem palavras, mas não com medo. Não tive medo quando começamos a brigar, nem quando você começou a me ameaçar. Mas quando você saiu por aquela porta, senti medo. Sim, muito medo.
Medo de ficar sozinha. Medo de morrer sozinha. Medo de não ser lembrada.
Não tenho medo do que as pessoas normais tem. Quebrar um coração, sofrer algum dano físico... Tudo pode ser ultrapassado com amigos e família.
Mas Zack, você é meu amigo e minha família. Você é meu irmão, meu melhor amigo, meu único amigo.
Claro, você não é o único "amigo". Mas o que eu posso chamar de amigo? Qualquer uma das meninas que me abraça e me fala como estou linda, ou você que ri da minha cara e diz que eu estou um lixo? A resposta é óbvia. A sinceridade dói. Muito.
Eu lhe imploro que me perdoe. Não é que eu sou corajosa. eu sou medrosa, e muito. Mas meu medo é outro! Você tem certeza de que será lembrado, você é incrível, e chama atenção por onde passa. Eu me escondo nas sombras, me perco na esquina e não sou vista em nenhum dos lados, por estar na frente. Eu sou invisível.
Zack, volte, por favor. Não me deixe sozinha, não me deixe ser invisível. Eu tenho medo... Você é o irmão mais velho! Não deve me proteger?
Encarecidamente, Vitória.

14 novembro 2011

3

Perdão.

Ok, eu ameeeei demais a edição do projeto bloinques para ignorar, então hoje eu vou colocar de lado os poemas do feriado para fazer essa carta, 100% inspirada no filme Coco Antes de Channel e ouvindo a nova e perfeita música da katy perry The One That Got Awai *0*
Tema: Eu matei o Felipe! õ/
Beeijos!
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Jennifer. Eu não sei se tenho direito de lhe mandar uma carta, mas mesmo assim eu o faço. Sei que você está sofrendo, e mesmo sem querer eu imagino que isso pode aumentar a sua angústia. Ou não. Eu não vou mentir, nunca entendi como sua cabeça funciona.
O que eu vou lhe contar pesa em meu coração de uma forma insuportável. Tentei terapia, até me confessei. Mas nada adiantou. Era como se faltasse algo, e hoje, quando eu acordei e vi que fazia dez anos dês daquele fatídico dia, lembrei de você instantaneamente, e descobri que a culpa que me corroía era que apenas eu sabia o que havia acontecido. Bem, eu e ele.
Dês daquele dia, não consigo sequer escrever o nome dele sem derramar lágrimas. Mas hoje não quero derramar uma lágrima antes de lhe contar tudo.
Você sabe que antes de ele te conhecer, nós éramos melhores amigos, quase um casal. Sim, e foi este quase que me separou de um final feliz.
Quando vocês se conheceram, eu nem temi nada. Você era linda e engraçada, mas eu também tinha meus encantos. O suficiente para acreditar que ele sempre me amaria.
Mas sempre é uma palavra muito longa, que nunca conseguimos ver o fim. E foi o que houve. eu não esperava que meus pais me proibissem de vê-lo. E quando me proibiram, eu acreditei realmente que ele me esperaria para sempre... Mas não ocorreu.
Eu te odiei, Jennifer. Odiei você por cada sorriso e cada palavra que já dirigiu para ele, e odiei a mim mesma por ter sido tola o bastante para ser deixada como capacho de meus pais.
Eu aceitei a vida. Tive namorados, me casei, me divorciei e tive uma filha. A unica coisa boa de toda a minha história.
Um belo dia, quando minha filha foi dormir na casa de uma amiga, eu me senti sufocada, a beira da loucura, então decidi ligar para ele.
Você estava dormindo, e ele falava baixo. Ah! Jennifer! Foi tão bom ouvir aquela voz novamente! Ele disse que se arrependia, disse que sempre me amou e que queria se reconciliar comigo.
Em minha tolice, eu disse as palavras que até hoje pesam em meu coração: Venha até minha casa, quero te ver.
E ele veio! Você acredita? Ele saiu da sua casa e atravessou a estrada, vindo para meus braços...
Mas ele nunca chegou, Jennifer. E eu achei que tinha sido uma tola por esperá-lo novamente, mas então eu soube:
Felipe morrera em um acidente de carro. Na estrada. Vindo me ver.
Jennifer, eu matei o Felipe! Eu, a mulher que mais o amava no mundo, o encaminhei para o seu fim! E eu não aguento mais isso! Esta culpa é demais para mim!
Ontem a minha filha se mudou. Já não precisa mais de mim. Voltei a ser um peso para o mundo, mas não por muito tempo. Quero estar no sono eterno antes que você leia esta carta e me odeie, se já não me odeia.
Guardarei esta carta perto do meu coração. Não sei como vão me achar, mas espero que lhe enviem esta carta. Jennifer, eu sei que é inútil, mas eu tenho que falar:
Perdão.

20 junho 2011

0

Bons Sonhos

Não vou mentir, quando vi qual seria a frase do tema do bloinques, entrei no YouTube e fiquei ouvindo A Noiva Cadáver. Claro que eu dei meu toque, mas em essência é essa história ><
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Estava ela na floresta, sozinha, esperando.
Vestindo o vestido de noiva da mãe, branco como marfim, bordado pelas melhores costureiras e feito da mais pura seda, a bela jovem, com os olhos negros brilhando na escuridão, tinha a esperança e o amor batendo em seu pulso, enchendo suas veias de alegria e corando as bochechas cheias de vida.
Em sua mente ela repassava o momento quando ele mandou que ela esperasse a Lua estar alta, então, ele disse, eles fugiriam. Ela chorou, não queria abandonar a família, os confortos, os pais, o mundo conhecido.
Menos romântico do que de costume, ele a encarou com os olhos azuis frios e disse:
-É a única maneira.
Ela assentiu. Seu grande erro foi deixar o coração falar mais alto que o bom senso. Mas ela nunca havia ouvido o coração e sempre fora infeliz. Não era a hora de compensar isso?
Antes de ir, sentada no seu quarto, acariciando o véu que ia vestir, ela sentiu a luz da lua na pele, como um beijo de despedida de tudo que ela conhecia.
Suspirou, ajeitou o véu no topo de sua cabeleira negra, deu uma última olhada no espelho e partiu para a escuridão da floresta, para nunca mais ver a Lua.
Esperava pacientemente, olhando no meio da escuridão, tentando discernir traços.
Sentiu uma mão rude enlaçando sua cintura e um hálito assustadoramente familiar em seu pescoço. As quatro palavras seguintes junto com a lâmina repentinamente gelada em seu pescoço selaram seu destino:
-Que bom que veio.
De repente tudo ficou escuro.
Victória acordou no seu quarto, no meio do breu, e tremeu.
Passou a mão nas orelhas: Nenhum brinco caro.
Nas mãos: Nenhuma aliança.
Na cintura: Nenhuma mão.
No pescoço: Nenhum corte.
Acendeu a luz de seu quarto rústico com um bater de palmas. Tudo arrumado como ela deixara quando fora dormir, na mais tranquila paz, e o livro de histórias de fantasmas derrubado no chão, que ela dormira lendo.
Rindo, ela se levantou e levou-o para a prateleira. Apagou a luz, e antes de cair no sono pesado, juraria no dia seguinte que ouviu as duas palavras que gelaram sua espinha:
-Bons sonhos.
E, se ela abrisse os olhos, veria um par de pontos azuis gelo no meio da escuridão?
Lara Vic.

09 junho 2011

2

Me Dê Uma Segunda Chance


Sinto sua falta...
Nossos momentos juntos, seus carinhos, seus beijos, seus abraços, seu calor...
Sem você me sinto perdida, desprezada, fria...
Mas eu tive que partir, meu amor. Eu tive que ir embora para nunca mais voltar. As razões não fazem sentido para mim também, mas eu quero mudar isso.
Hoje passei na frente da sua casa e te vi pela janela, sentado no sofá, pensando... Sem ter quem te aquecer (esse era o meu trabalho!).
Isso me incentivou mais ainda a escrever-lhe.
As lembranças me assombram. Eu me lembro como se fosse ontem.
O momento que estava para decolar minha carreira de atriz. Tudo com o que eu sempre sonhei, você sabe. E de repente meu pai totalmente sumido apareceu: Pobre. Velho. Doente.
Eu abri mão de tudo! Do meu sonho! De você!
Bem, acho que você conhece essa história. Bem demais.
Mas eu tenho um sonho! Eu ainda quero ser aquela atriz reconhecida pelas ruas, que dá fama a cidade pequena em que cresceu. Eu quero tudo isso e mais. Eu quero você como era antes, porque sem você todos os sonhos do mundo significariam menos que nada.
Eu tentei me matar. Quando meu pai morreu meu mundo desabou, e todos, inclusive você, me abandonaram.
Mas eu quero recomeçar, e vai ser pela parte mais importante da minha vida: Você!
Você me faz tão bem quando chega perto com esse seu sorriso aberto, e eu quero sentir essa sua luz de novo!
Por favor, estou enviando essa carta com a esperança de que seja apenas o começo de uma longa conversa, lá no nosso sofá, aquecidos e felizes.
Com todo amor do mundo,(Lara) Victória.

31 maio 2011

3

Iguais

Pauta para a 72a. edição musical do projeto bloinques.
Espero que gostem, Vitória está de volta ;)
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Acordei com a luz em meu rosto. Uma manhã de domingo corriqueira.
Me estiquei na cama, tentando tocar o mundo, mas meus membros tocaram no nada, como sempre. Só havia você lá.
Levantamos de olhos fechados com a forte luz. Andei automaticamente até o banheiro. Tomei um bom banho, e fui tomar café.
Devaneando sobre a vida enquanto você sentava, pensei sobre todos os meus erros:
Desistir do meu sonho, abandonar meu pai, beber, fumar, me drogar...
E também sobre todos meus acertos:
Deixar tudo para ficar os últimos momentos com meu pai, desistir da idéia de me matar, parar de beber, de fumar, de me drogar...
Pensei sobre meu primeiro beijo, imaginei a primeira lágrima, inventei minha primeira briga, ri da primeira promessa.
Enquanto te encarava silenciosa, pensei na parte de minha vida que você assistiu. Riu do meu primeiro amor? Chorou com meu primeiro machucado? Ou simplesmente pensou: Que garota fraca, já passei por coisa muito pior!
Não, você não passou por coisa muito pior. Você estava la o tempo todo. No primeiro beijo te vi de relance, na primeira lágrima te vi na água, na primeira briga te vi nos olhos de minha desafiante, na primeira promessa ouvi seu suspiro...
Se você riu do meu primeiro amor foi quando eu ficava horas e horas me enfeitando na sua frente. Meu primeiro machucado eu também garanto que em uma de minhas lágrimas você estava lá.
Hoje sou uma mulher adulta, mas ainda temo o seu julgamento no momento em que finalmente reúno forças para encará-la frente à frente, porque nós duas somos iguais, e tenho que aceita-la com todos meus defeitos.
Todo dia que encaro o espelho, você está lá, sempre esteve, uma companheira mais presente e mais cínica, que esconde as emoções mais que eu, mas que nunca me abandonou. Agradeço sempre à sua presença, e espero poder ainda usufruí-la muito mais.
Atenciosamente, (Lara) Victória

21 maio 2011

1

Carta à um Fantasma

 
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Caríssimo fantasma, eu gostaria que parasse de me assombrar.
Todo dia acordo feliz e renovada, para te ver pelos cantos e bufar por ser este mais um novo dia. Francamente, eu não sei como foi sua vida, mas se não está no inferno, porque transformar minha vida nisso?
Afinal, o que tenho eu a ver com você? Não mudei de casa recentemente, nenhum parente morreu, você veio do Além como uma brincadeira de mau gosto?
É, eu sei que menti. Sei bem porque está aqui, mas não quero acreditar.
Uma coisa minha morreu, e nós sabemos que é porque você está aqui. Mas porque me castigar tanto? Eu recebo o que mereço, acredite, não preciso de mais flagelo.
Quase ergui uma lápide, sabia? Por noites e noites me revirei na cama pensando em fazer uma lápide no lugar onde ela morreu, mas acho que uma morte tão trágica e irrecuperável já tem uma lápide no meu coração, e nada é mais necessário que isso.
Não sei onde a enterraram, só sei que a tiraram de mim. Eu garanto, e nisso você pode acreditar. Se fosse para saber onde ela foi enterrada eu iria até lá agora no meio da noite e com minhas próprias unhas cavaria a terra, concreto e qualquer coisa que me separasse dela. É quase impossível viver sem ela. Talvez por isso você esteja aqui.
Não  faça mau juízo de mim. Sei que não é a Morte ou qualquer coisa parecida. Você é algo pior e mais assustador. Posso chamá-lo como está acostumado?
Medo.
Você achou que eu não iria descobrir não é? Mas eu te percebi no dia em que a Coragem morreu. Senti seu peso frio sob meus ombros, e sua presença debaixo da minha cama. Vi sua silhueta dentro de minha sobra, e seu reflexo em meus olhos. Arriscaria dizer  que foi você que, naquela noite chuvosa, a apunhalou pelas costas, mas eu bem sei quem foi, e não vou arrebatar-lhe mais culpa do que já possui.
Aquele dia nunca me escapa da memória. Onde estaria você naquela época? Eu ainda não o conhecia, e o mundo parecia uma maravilha, com minha  companheira sempre sentada no meu ombro direito e esquerdo, sem dar espaço para  incertezas e contratempos. Ah, naquela época o mundo era uma pintura cheia de tons fortes, vermelhos, azuis, amarelos e verdes. Eu me sentia num arco-íris que, ao mesmo tempo em que era particular, era partilhado.
E você chegou com seu cinza, azul-marinho, branco, preto... E eu fui neutralizando... Neutralizando... E hoje sou só isso. Alguém tão solitária que escreve uma carta a um fantasma.
Então, aqui peço que você vá embora. Deixe-me seguir meu rumo sem nenhuma presença, apenas me livre para fazer o que quero. Deixe que eu honre a lembrança da Coragem em minha vida, e tenha certeza que a sua nunca deixará de existir.
Vou deixar essa carta em cima da mesa, para você lê-la atentamente e me dar sua resposta. Quero que saiba que não o desprezo, pois uma coisa que a Coragem me ensinou é que todo contratempo tem algo de bom, e por mais incrível que pareça você me mostrou: há outras formas de viver, algo entre os tons neutros e berrantes.
Eu prometo, aprendi a lição, e agradeço por teri-me-a passado. Desejo toda sorte do mundo no próximo hospedeiro que você encontrar, desde que não vá morar com ele para sempre tudo bem?
Sem mais delongas, me despeço de você, que se tornou um grande amigo.
Uma lágrima como selo e uma assinatura como nome. Atenciosamente, (Lara) Victória

15 maio 2011

2

Mensagem em uma garrafa

Para a 43ª edição cartas do projeto bloinquês, mais uma carta com a Victória, dessa vez escrita por ela. Fiz ontem mas deixei para postar hoje porque queria fazer a imagem.
Beijos!
fiz dessas imagens, gostaram?


Olá.
  Meu nome é Victória. Tenho vinte e um anos e frequento muito esse lugar onde você está. Aliás, esse mesmo banquinho onde você está sentado(a) e encontrou a minha mensagem na garrafa sempre foi meu porto seguro em todas as minhas dificuldades, e por isso achei um bom lugar para "esquecer" essa mensagem.
  Eu sei... Isso é um clichê não é? Um pedido de socorro na garrafa. Mas vou te surpreender. Eu não quero ser socorrida, só quero ser lembrada.
  Pois é, enquanto você lê isso, eu já devo estar morta. Talvez repousando em um caixão ou boiando nas ondas do impiedoso mar. Quem sabe esse vento frio que você sentiu agora seja eu, dizendo simplesmente que estou aqui!
  Bem, minha vida não foi grande coisa. Desde pequena, com uma mãe ausente e um pai amante de cinema, aprendi a ser a pessoa mais dramática do mundo. Minhas emoções eram sempre exageradas. Acho que foi para mim que inventaram a expressão "8 ou 80". Francamente, se não fosse assim, minha vida não teria metade da graça que teve.
  O teatro sempre me intrigou. Quando pequena, enquanto minhas amigas vestiam seus tutus e faziam piruetas, eu declamava sheakespere e chorava literalmente sem motivo. Acho que por isso as meninas da minha idade me chamavam de falsa, quando eu era apenas eu mesma: Uma atriz.
  Até aí tudo bem. Eu era uma criança meio excluída, mas tinha amigos em quem confiaria minha vida. Foi então que aconteceu. Aos quinze anos, fui sequestrada, praticamente abduzida. Tiraram-me da doce cidade pequena que eu morava (sem nomes aqui, apenas fatos!) e me levaram para uma grande metrópole.
  Eu estava literalmente amarrada ao banco de trás do carro, e comecei a fingir um mal estar. Prendi a respiração para minha pele clarear, pisquei muito os olhos e até arrisquei uns bocejos para causar lágrimas. Funcionou. Eles não estavam interessados por garotas fracas para sei lá o que me queriam. Na primeira esquina vazia, literalmente me chutaram do carro.
  Eu odiei aquela cidade desde o momento em que toquei os pés nela. Os cheiros, os olhares, parecia um grande inferno cinza.
  Mas aí anoiteceu, e o inferno gelou.
  Eu estava encolhida no chão esperando para morrer quando ouvi uma criança gritando e cantando, dizendo que ia ao teatro.
  Foi como se eu tivesse acordado de um pesadelo. Levantei, e disfarçadamente segui a criança e seus pais.
  Ah! Dizer que a invejei foi pouco. Seu agasalho quentinho, cor-de-rosa e os olhos brilhantes que só perdiam para as luzes da grande metrópole. Seus pais a levavam para o teatro, felizes, sorrindo carinhosos.
  Naquela noite prometi a mim mesma que isso seria meu algum dia.
  Eles chegaram a um grande teatro que brilhava mais que o sol. Meus olhos nunca haviam apreciado coisa tão linda, e desejei ardentemente entrar lá.
  Talvez por ter ficado no frio, minha cabeça não estava funcionando bem. Segurei a mão da menina que não falou nada, e entrei sem que seus pais percebessem. Sentei ao lado dela e vi uma peça linda e emocionante, cujo nome agora me escapa.
  No meio da peça, a mãe da garota me encarou, e viu que eu não estava acompanhada. Puxou conversa comigo e arrancou uma confissão de como eu entrara. Ficou tão chocada com minha história que me levou para a casa dela, dizendo que no dia seguinte fariam queixa a polícia.
  Mas o dia seguinte nunca chegou. Eles gostaram tanto de mim que sempre adiavam o dia de me levar para casa. Matricularam-me na escola, no teatro, e foram para mim uma verdadeira família por um tempo. Teria sido o final feliz se eu não tivesse surtado ao ver os papéis de adoção no escritório do pai.
  Naquele dia exigi que me levassem para casa, e a mãe, sem muito o que faze, além de segurar o choro, me levou à delegacia.
  Voltei para casa exatamente um ano depois de ter sumido, mas meu pai não estava lá.
  Passei a viver com meu professor de teatro, que me dava aulas enquanto eu cozinhasse. Participei  de boas peças, mas quando completei vinte anos percebi que meus sonhos eram na grande metrópole, no teatro brilhante. Então fui para lá.
  Reencontrei a família de lá e fui recebida calorosamente. A menina tinha agora quinze anos, mas lembrava bem de mim. Ofereceram-me para eu passar a noite lá, e eu aceitei. Demorei alguns meses em peças secundárias, mas finalmente o diretor daquele teatro me chamou para uma peça.
  Já tinha formado uma vida na metrópole. Tinha um namorado, e a garota acabou virando minha melhor amiga. Saí para comemorar com eles, quando vi meu pai - não o pai da menina -, mas pai que eu não via há seis anos.
  Meu mundo caiu e decidi não fazer mais a peça, porque ele não poderia ver. Vi minha chance escapar por entre meus dedos, e nem liguei.
  Mas meus amigos ligaram. Cansado de tentar me convencer, meu namorado me deixou sem mais nem menos. A menina parou de falar comigo por uma cartinha, e  finalmente fui convidada a sair da casa dos meus supostos "pais".
  Como pode ver, meu mundo caiu. O único lugar onde eu passava meus dias era nesse barzinho onde você está, nessa mesa onde você está sentado, tomando essa mesma garrafa de onde você retirou a carta. Como disse no começo, eu quero ser lembrada, pois a garota e seus pais vão me esquecer. Meu pai faleceu ontem e merece mais ser lembrado do que eu.
  Talvez você veja no noticiário sobre um corpo encontrado na praia mais próxima a esse barzinho, porque eu quero um fim bem dramático, para honrar minha vida.
  Adeus a você que eu gostaria de ter conhecido, pois você me impediria, sabendo tudo que eu contei.
  Guarde minha mensagem e escreva a sua, para esconder na garrafa dessa mesa, exatamente como eu, para que nossa história não seja esquecida.
  Agradecida, (Lara)Victória.

09 maio 2011

0

8 ou 80?

Carta para o projeto Bloinquês, 42ª edição cartas.
Vou fazer mais cartas para Victória, gostei dela ^^
beijos!
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Victória;
Cansei. Não aguento mais esse seu jeitinho extremista. É incrível que você não vê simplesmente o que perde entre 8 e 80. Você não entende que o mundo é mais do que "sim ou não"?
Eu até tentei te ajudar, mas sinceramente cansei de te acompanhar nessa maldita montanha russa que você chama de vida.
Acabou, cansei (estou usando essa palavra muito né? É que já faz muito tempo). Não dá para ser amiga de alguém que cria tempestades em um copo d'agua porque é incapaz de variar o vocabulário entre sim e não. também tenho problemas, sabia?
Quanto fui te contar que me cachorro morreu você ficou falando sobre como sua prima é idiota por virar bissexual, que tinha que decidir entre um e outro.
E quando eu apareci com aquela mini-saia e leggin? Você quase enfartou.
Em vários momentos eu queria ser o 9 ou o 72, ou ainda o 1! Mas não dá. Com você é 8 ou 80.
Então não precisa mais me ligar. Pode jogar fora aquele colar que te dei e esquece que um dia te contei meus segredos. Volte a falar comigo quando ver como sua filosofia é inútil, porque eu não sou 8 nem 80, eu sou eu mesma, e você não aceita.
Tristemente, Lara Vic