06 junho 2012

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Sem Sorte


Levantei da cama pela milionésima vez. Vaguei na escuridão de minha casa até a cozinha, pois estava com a boca seca, de novo. Liguei a luz e olhei para o relógio: 1:00 da manhã. Eu tinha ido me deitar às 22:00, e ia acordar cedo. Ao erguer o copo à altura da minha vista, percebi que a água tremia. Não, minha mão tremia.
Pensamentos soltos passavam por minha mente, de insegurança em mim mesma e nos outros. O nó que a dias eu segurava em minha garganta foi forçado demais. Coloquei o copo na bancada, e abracei minha própria barriga, forçando as lágrimas para voltar do lugar de onde elas vieram. De onde todas vieram, nos piores momentos, na frente das piores pessoas.
Mas elas continuavam, contornando minhas bochechas, traçando as falhas em meu rosto, garantindo lindos olhos inchados amanhã para o embarque.
Refleti por que eu estava chorando. Raiva, claro, raiva do próprio choro. Tristeza? Acho que isso era simples demais. Isso eu controlaria. Controlei isso por muito tempo.
Pensei no que estava por vir. Todo meu treinamento seria colocado a teste. Eu, que nunca fui considerada a melhor, agora ia contra os melhores. E teria que confiar em mim mesma.
Sim, foi isso, insegurança. Eu não me achava capaz. E por que seria? Quem estava ali ganhou, por merecimento, e apesar do que todos me disseram, eu sabia que a medalha que me classificou foi sorte.
Sorte. Terá valido a pena o destino gastar algo assim comigo? Eu queria que sim, mas não acreditava. Eu ia ter que entrar no tatame, e ganhar.
Chorei, chorei tudo o que podia. Todas as minhas inseguranças, qualquer gota de desconfiança em mim mesma. Visualizei o barco que ia me levar à Europa. Eu sabia que uma vez pondo o pé lá, não tinha mais volta. Imaginei seus detalhes, e meu coração começou a acelerar. Não chorei na falta de lágrimas, mas continuei imaginando.
Os detalhes das janelas, das sacadas dos quartos de luxo. O Sol esquentando levemente meu rosto, as gaivotas voando, como que fazendo um cortejo em minha chegada. Seus sons, antes indistintos e sem significado, pareciam emitir um "boa sorte".
Sorri, ainda de olhos fechados. Eu não queria sorte. Eu já tive sorte o bastante nessa jornada. Eu queria ganhar por minha própria força.
Meu coração começava a se acalmar.
Lavei o rosto. Embaixo das lágrimas tive o vislumbre de alguém diferente. Um vislumbre...
Deitei e dormi as horas que me restavam. Acordei com os ditos olhos inchados, e os escondi em um óculos escuro.
Arrumei minha bagagem. A bolsa era pesada, mas menor do que eu imaginei que ia ficar. Respirei fundo, e saí de casa.
Durante o caminho, apenas tentei decifrar o motivo de meu coração estar acelerado. Não era desespero. Eu não queria mais fugir. Eu queria lutar, lutar para provar que eu não dependo de sorte.
Ao sair do taxi, fui recebida pelo cheiro salgado do mar. Eu havia esquecido de imaginar isso.
O navio era incrivelmente mais bonito do que eu imaginara. Tinha mais brilho, mais janelas, era mais... real.
Parei por um segundo, lembrando aonde ele me levaria. Respirei fundo, e tocaram a primeira sineta, assustando várias gaivotas. Elas não diziam boa sorte.
-Mas você não quer sorte, quer? - sussurrei a mim mesma.
Caminhei decidida até o meu destino, esquecendo todas as inseguranças, confiando apenas em mim. Meu coração batia rápido, de ansiedade.
Participando do Bloinques depois de um milhão de anos! Como é bom ver uma imagem e escrever uma historia toda baseada nela, senti falta disso ^^
Estou enferrujada, espero que gostem mesmo assim. Comentários?

4 comentários:

  1. Ish, quanto tempo não venho aqui! Tá tudo lindo, como sempre. Não li o texto ainda pois também vou fazer um texto baseado nessa foto para o bloínquês, mas depois que eu fizer o meu passo aqui e leio :D
    Bjs, Cat.
    http://blogdoceilusao.blogspot.com.br/

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  2. Muito lindo Lara! É bom quando se coloca pra fora o que nos sufoca por dentro! (:

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  3. Também fazia um tempinho que eu não te visitava e não sei como consegui ficar sem ler seus textos lindos, haha. Beijos
    http://primeirapessoa-dosingular.blogspot.com.br/

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  4. Lindo, lindo, lindo!
    E aposto que é baseado na sua vida... bom, querendo ou não, tudo o que escrevemos foi algo que marcou na nossa vida.
    Muito bom, parabéns, continue assim (:

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